COVID-19 e Trombose: O Papel do D-Dímero e Manejo

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021

Enunciado

Considerando paciente com diagnóstico de infecção por COVID-19 e que apresente piora clínica e possibilidade alta de ocorrência de eventos tromboembólicos, marque a CORRETA, segundo as Recomendações da Associação Brasileira de Medicina de Emergência:

Alternativas

  1. A) Deve ser utilizada de forma rotineira no paciente com diagnóstico de infecção por COVID-19 a anticoagulação plena por pelo menos sete dias, fazendo uso de heparina não-fracionada.
  2. B) D-Dímero isolado não configura critério de gravidade, mas pode sugerir evolução desfavorável e demanda investigação para eventos tromboembólicos com ecodopplercardiograma e tomografia.
  3. C) Não há a necessidade de utilização de escalas para estratificação de risco de tromboembolismo venoso (TEV) como as escalas/escores de IMPROVE, PADUA OU CAPRINE RAM e todos os pacientes diagnosticados devem receber anticoagulação com enoxaparina 40mg SC 2x ao dia por 07 dias.
  4. D) Caso optado por anticoagulação plena com heparina de baixo peso molecular 2x ao dia, deve-se fazer o controle do TTPa.

Pérola Clínica

D-dímero ↑ em COVID-19 sugere risco tromboembólico, mas não é critério isolado para anticoagulação plena; exige investigação.

Resumo-Chave

Em pacientes com COVID-19 e piora clínica, o D-dímero elevado é um marcador de inflamação e hipercoagulabilidade, associado a pior prognóstico e maior risco de eventos tromboembólicos. Contudo, um D-dímero isolado não justifica anticoagulação plena de rotina, mas sim uma investigação mais aprofundada para confirmar a presença de trombose, como embolia pulmonar ou trombose venosa profunda.

Contexto Educacional

A infecção por COVID-19, especialmente em casos de piora clínica, está associada a um estado de hipercoagulabilidade e inflamação sistêmica, aumentando significativamente o risco de eventos tromboembólicos venosos (TEV) e arteriais. Para residentes, é crucial compreender a fisiopatologia e o manejo desses eventos. A fisiopatologia envolve a ativação da cascata de coagulação, disfunção endotelial e ativação plaquetária, resultando na formação de trombos. O D-dímero é um biomarcador de degradação da fibrina e seu aumento é comum na COVID-19, correlacionando-se com a gravidade da doença e o risco de trombose. No entanto, um D-dímero elevado isoladamente não é diagnóstico de trombose, mas sim um indicador de que uma investigação mais aprofundada é necessária. O diagnóstico de TEV requer exames de imagem específicos, como a angiotomografia de tórax para embolia pulmonar ou o ultrassom Doppler de membros inferiores para trombose venosa profunda. A estratificação de risco para TEV é importante, e escalas como IMPROVE, PADUA ou CAPRINI RAM podem auxiliar na decisão de profilaxia. O tratamento envolve a profilaxia de TEV para todos os pacientes hospitalizados com COVID-19, geralmente com heparina de baixo peso molecular em dose profilática. A anticoagulação plena é reservada para pacientes com TEV confirmado ou em situações de muito alto risco, avaliando-se sempre o balanço entre risco de trombose e risco de sangramento. O controle do TTPa é utilizado para heparina não fracionada, enquanto a heparina de baixo peso molecular geralmente não requer monitorização de rotina, exceto em casos específicos como insuficiência renal grave. O prognóstico dos pacientes com COVID-19 e eventos tromboembólicos é pior, ressaltando a importância da vigilância e do manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com COVID-19 têm maior risco de eventos tromboembólicos?

A COVID-19 induz um estado de hiperinflamação e hipercoagulabilidade, com disfunção endotelial e ativação plaquetária, aumentando significativamente o risco de trombose arterial e venosa, incluindo embolia pulmonar.

Quando a anticoagulação plena é indicada para pacientes com COVID-19?

A anticoagulação plena é indicada para pacientes com COVID-19 que têm um evento tromboembólico confirmado (ex: embolia pulmonar, trombose venosa profunda) ou em situações de alto risco individualizado, após avaliação cuidadosa do risco-benefício.

Quais exames são recomendados para investigar eventos tromboembólicos em COVID-19?

Além do D-dímero, a investigação pode incluir angiotomografia de tórax para embolia pulmonar, ultrassonografia Doppler de membros inferiores para trombose venosa profunda e, em alguns casos, ecocardiograma para avaliar disfunção de ventrículo direito.

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