SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021
Em relação à Insuficiência Cardíaca (IC), é CORRETO afirmar:
Digoxina na ICFER: melhora sintomas e qualidade de vida, mas NÃO reduz mortalidade ou hospitalizações.
A digoxina é um inotrópico positivo e cronotrópico negativo que pode ser usada na IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) para melhorar os sintomas e a capacidade de exercício, mas não demonstrou impacto na mortalidade ou nas taxas de hospitalização em grandes estudos.
A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas e sinais resultantes de uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que leva à redução do débito cardíaco e/ou pressões de enchimento elevadas. A IC é uma das principais causas de morbimortalidade e hospitalização globalmente, sendo um tema central na prática clínica e em provas de residência. A classificação da IC é feita principalmente pela fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), dividindo-a em IC com fração de ejeção reduzida (ICFER, FEVE < 40%), IC com fração de ejeção levemente reduzida (ICFElr, FEVE 41-49%) e IC com fração de ejeção preservada (ICFEP, FEVE >= 50%). A digoxina, um glicosídeo cardíaco, atua inibindo a bomba Na+/K+-ATPase, aumentando o cálcio intracelular e a contratilidade miocárdica. Embora a digoxina possa melhorar os sintomas, a qualidade de vida e reduzir as hospitalizações por IC (mas não a mortalidade geral) em pacientes com ICFER, ela não é uma terapia de primeira linha e deve ser usada com cautela devido ao seu estreito índice terapêutico e potencial para toxicidade. Outras alternativas (como as citadas nas opções incorretas) são: o edema periférico não tem boa correlação com PVC; o achado de FEVE > 65% não afasta IC, mas a opção C está incorreta ao dizer "ICFEN" para FEVE > 65% (o termo é ICFEP); betabloqueadores são indicados na ICFER independente da etiologia; espironolactona é indicada em ICFER com classe funcional II-IV e FEVE < 35%, não em todos os pacientes.
O principal benefício da digoxina em pacientes com ICFER é a melhora sintomática, incluindo a redução da dispneia e fadiga, e a melhora da qualidade de vida e capacidade de exercício.
Não, a digoxina é geralmente reservada para pacientes com ICFER que permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada com inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas do receptor de mineralocorticoide, ou para controle de frequência em fibrilação atrial com IC.
Os principais efeitos adversos da digoxina incluem arritmias cardíacas (bradicardia, taquicardia ventricular), distúrbios gastrointestinais (náuseas, vômitos, anorexia) e neurológicos (visão turva, xantopsia, confusão), especialmente em níveis séricos elevados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo