Digoxina na Insuficiência Cardíaca: Impacto em Sintomas e Mortalidade

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021

Enunciado

Em relação à Insuficiência Cardíaca (IC), é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A intensidade do edema periférico em pacientes com IC tem boa correlação com os níveis de pressão venosa central.
  2. B) O uso de digoxina em pacientes com IC e fração de ejeção baixa, embora esteja associada com melhora sintomática, não influencia as taxas de hospitalização ou mortalidade.
  3. C) O achado ao ecocardiograma de uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 65% não afasta o diagnóstico de IC, uma vez que tem-se duas categorias de IC: ICFER (Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida e ICFEN (Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Normal).
  4. D) Os betabloqueadores só devem ser indicados em pacientes portadores de IC se a etiologia for infarto agudo do miocárdio.
  5. E) A espironolactona está indicada em todos os pacientes com IC, independente do grau de disfunção sistólica e da classe funcional do NYHA.

Pérola Clínica

Digoxina na ICFER: melhora sintomas e qualidade de vida, mas NÃO reduz mortalidade ou hospitalizações.

Resumo-Chave

A digoxina é um inotrópico positivo e cronotrópico negativo que pode ser usada na IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) para melhorar os sintomas e a capacidade de exercício, mas não demonstrou impacto na mortalidade ou nas taxas de hospitalização em grandes estudos.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada por sintomas e sinais resultantes de uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que leva à redução do débito cardíaco e/ou pressões de enchimento elevadas. A IC é uma das principais causas de morbimortalidade e hospitalização globalmente, sendo um tema central na prática clínica e em provas de residência. A classificação da IC é feita principalmente pela fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), dividindo-a em IC com fração de ejeção reduzida (ICFER, FEVE < 40%), IC com fração de ejeção levemente reduzida (ICFElr, FEVE 41-49%) e IC com fração de ejeção preservada (ICFEP, FEVE >= 50%). A digoxina, um glicosídeo cardíaco, atua inibindo a bomba Na+/K+-ATPase, aumentando o cálcio intracelular e a contratilidade miocárdica. Embora a digoxina possa melhorar os sintomas, a qualidade de vida e reduzir as hospitalizações por IC (mas não a mortalidade geral) em pacientes com ICFER, ela não é uma terapia de primeira linha e deve ser usada com cautela devido ao seu estreito índice terapêutico e potencial para toxicidade. Outras alternativas (como as citadas nas opções incorretas) são: o edema periférico não tem boa correlação com PVC; o achado de FEVE > 65% não afasta IC, mas a opção C está incorreta ao dizer "ICFEN" para FEVE > 65% (o termo é ICFEP); betabloqueadores são indicados na ICFER independente da etiologia; espironolactona é indicada em ICFER com classe funcional II-IV e FEVE < 35%, não em todos os pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual o principal benefício da digoxina em pacientes com ICFER?

O principal benefício da digoxina em pacientes com ICFER é a melhora sintomática, incluindo a redução da dispneia e fadiga, e a melhora da qualidade de vida e capacidade de exercício.

A digoxina é recomendada para todos os pacientes com IC?

Não, a digoxina é geralmente reservada para pacientes com ICFER que permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada com inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas do receptor de mineralocorticoide, ou para controle de frequência em fibrilação atrial com IC.

Quais são os principais efeitos adversos da digoxina?

Os principais efeitos adversos da digoxina incluem arritmias cardíacas (bradicardia, taquicardia ventricular), distúrbios gastrointestinais (náuseas, vômitos, anorexia) e neurológicos (visão turva, xantopsia, confusão), especialmente em níveis séricos elevados.

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