USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem, 70 anos, tabagista de 40 anos-maço. Há seis meses com tosse seca e dispneia progressiva, atualmente aos moderados esforços. Exame físico: Bom estado geral, corado, acianótico. Presença de baqueteamento digital. Murmúrio vesicular presente com estertores finos em velcro em terço inferior de ambos hemitórax; FR: 28 ipm. RCR 2T; bulhas normofonéticas sem sopros. FC: 88 bpm; PA: 130 x 80 mmHg.Qual é o parâmetro mais sensível para detectar alteração funcional?
Fibrose pulmonar: DLCO é o parâmetro mais sensível para detectar alteração funcional precoce.
Em doenças pulmonares intersticiais como a fibrose pulmonar, a alteração funcional mais precoce e sensível é a redução da capacidade de difusão pulmonar para o monóxido de carbono (DLCO). Isso ocorre devido ao espessamento da membrana alvéolo-capilar e à destruição do leito capilar, dificultando a troca gasosa antes mesmo que outros volumes pulmonares ou a oxigenação arterial sejam significativamente afetados.
A fibrose pulmonar é uma doença intersticial crônica e progressiva que leva à cicatrização do tecido pulmonar, comprometendo severamente a função respiratória. O caso clínico descreve um paciente com sintomas clássicos (tosse seca, dispneia progressiva), sinais (baqueteamento digital, estertores em velcro) e fatores de risco (tabagismo, idade avançada) que sugerem fortemente uma doença pulmonar intersticial, possivelmente fibrose pulmonar idiopática. A avaliação funcional pulmonar é crucial para o diagnóstico, estadiamento e acompanhamento dessas condições. A fisiopatologia da fibrose pulmonar envolve a inflamação e fibrose do interstício pulmonar, resultando em espessamento da membrana alvéolo-capilar e destruição do leito capilar. Isso afeta primariamente a capacidade de troca gasosa. A prova de função pulmonar completa inclui espirometria, pletismografia e teste de difusão de monóxido de carbono (DLCO). A espirometria geralmente revela um padrão restritivo (redução da Capacidade Vital Forçada - CVF), enquanto a pletismografia confirma a redução da Capacidade Pulmonar Total (CPT). No entanto, a DLCO é o parâmetro mais sensível, pois mede diretamente a eficiência da transferência de gases entre os alvéolos e o sangue. A redução da DLCO é frequentemente a primeira alteração funcional detectável na fibrose pulmonar, mesmo antes de haver hipoxemia significativa na gasometria arterial ou grandes reduções nos volumes pulmonares. O tratamento da fibrose pulmonar idiopática visa retardar a progressão da doença com antifibróticos. O acompanhamento da DLCO é importante para monitorar a resposta ao tratamento e a progressão da doença. Residentes devem estar atentos à importância da DLCO como marcador precoce e sensível de disfunção pulmonar em doenças intersticiais.
A DLCO (difusão de monóxido de carbono) mede a capacidade dos pulmões de transferir gases dos alvéolos para o sangue. Na fibrose pulmonar, o espessamento e a destruição da membrana alvéolo-capilar comprometem essa transferência, tornando a DLCO o indicador mais precoce e sensível de disfunção.
Além da DLCO reduzida, a fibrose pulmonar tipicamente causa um distúrbio ventilatório restritivo, com redução da Capacidade Pulmonar Total (CPT), Volume Residual (VR) e Capacidade Vital Forçada (CVF). O VEF1/CVF geralmente é normal ou aumentado.
Em estágios iniciais, a gasometria arterial pode ser normal ou mostrar hipoxemia apenas aos esforços. Com a progressão da doença, desenvolve-se hipoxemia em repouso, que pode ser acompanhada de alcalose respiratória compensatória devido à taquipneia.
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