Difteria: Quadro Clínico e a Pseudomembrana Característica

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

A difteria é uma doença infecciosa grave, especialmente em crianças. Qual é o achado clínico característico da difteria em crianças?

Alternativas

  1. A) Exantema maculopapular.
  2. B) Pseudomembrana cinzenta na orofaringe.
  3. C) Tosse convulsa.
  4. D) Diarreia aquosa.
  5. E) Erupção cutânea vesicular.

Pérola Clínica

Placa acinzentada aderente em orofaringe (sangra ao retirar) → Difteria.

Resumo-Chave

A difteria caracteriza-se pela formação de pseudomembranas branco-acinzentadas firmemente aderentes às amígdalas e faringe, causadas pela ação citotóxica da toxina da Corynebacterium diphtheriae.

Contexto Educacional

A difteria, causada pelo bacilo Gram-positivo Corynebacterium diphtheriae, é uma doença imunoprevenível que se tornou rara em locais com alta cobertura vacinal, mas que ainda apresenta surtos em populações vulneráveis. A patogenia é dominada pela produção de uma potente exotoxina que inibe a síntese proteica celular. Clinicamente, além da placa característica, o paciente pode apresentar o 'pescoço de touro' devido ao intenso linfonodomegalia cervical e edema de partes moles. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado pela cultura em meio de Loeffler ou Tellurito. O manejo rápido é crucial para evitar a asfixia mecânica e o dano orgânico mediado pela toxina.

Perguntas Frequentes

O que define a pseudomembrana na difteria?

A pseudomembrana diftérica é composta por uma rede de fibrina, células epiteliais necróticas, leucócitos e bacilos. Ela possui uma coloração branco-acinzentada ou fosca e é extremamente aderente à mucosa subjacente. Tentar removê-la causa sangramento ativo devido à invasão tecidual e destruição do epitélio. Ela pode se estender da orofaringe para a laringe e traqueia, causando obstrução respiratória grave.

Quais são as complicações sistêmicas da difteria?

As complicações são mediadas pela exotoxina que cai na corrente sanguínea. As principais são a miocardite (que pode causar arritmias e insuficiência cardíaca grave) e a polineuropatia (manifestando-se como paralisia do palato mole, distúrbios de acomodação visual e, tardiamente, paralisias periféricas). A gravidade das complicações está diretamente relacionada à extensão da membrana local e ao atraso na administração do soro antidiftérico.

Como é feito o manejo imediato da difteria?

O tratamento baseia-se em dois pilares: a neutralização da toxina circulante com o Soro Antidiftérico (SAD) e a eliminação da bactéria com antibióticos (geralmente Penicilina G Cristalina ou Eritromicina). O SAD deve ser administrado o mais rápido possível, pois ele não neutraliza a toxina já fixada nos tecidos. O isolamento respiratório é obrigatório até que duas culturas consecutivas sejam negativas.

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