INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um menino de 10 anos de idade é trazido pelo pai à consulta pediátrica e relata grande dificuldade escolar do filho. O pai comenta que a professora se queixou à família que a criança é dispersa em sala de aula, não acompanhando os colegas nas atividades propostas. Durante a consulta com o médico e enfermeira da Equipe de Saúde da Família, o menino comporta-se normalmente e responde de forma adequada às perguntas realizadas. Os exames físicos realizados indicam ausência de anormalidade ou alterações. Considerando as informações apresentadas, qual o conceito em que se deve basear um projeto terapêutico adequado ao caso?
Dificuldade escolar → Investigar contexto familiar e social antes de considerar diagnósticos biológicos.
O baixo desempenho escolar é frequentemente um sintoma de disfunções no ambiente familiar ou social, exigindo uma abordagem sistêmica e não apenas focada na patologização da criança.
A questão aborda um tema central na Medicina de Família e Comunidade e na Pediatria Geral: a tendência à medicalização de problemas sociais. Em crianças com queixas escolares, a normalidade no exame físico e no comportamento durante a consulta sugere que a causa pode não ser um transtorno neurobiológico intrínseco. A diretriz atual preconiza que o médico deve atuar como articulador, avaliando a criança em sua totalidade (biopsicossocial). Fatores como violência doméstica, insegurança alimentar, falta de sono adequado ou métodos de ensino incompatíveis com o perfil da criança devem ser priorizados na investigação. O gabarito reforça que a compreensão do contexto familiar é o pilar para um projeto terapêutico adequado, visando a proteção integral da criança e o suporte à família, em vez de punições ou diagnósticos precipitados.
A dificuldade de aprendizagem geralmente está ligada a fatores externos, como métodos pedagógicos inadequados, problemas familiares ou questões emocionais. Já os transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH ou a Dislexia, possuem uma base neurobiológica persistente. Na Atenção Primária, o primeiro passo é a abordagem biopsicossocial: se a criança se comporta normalmente em consulta e o exame físico é normal, deve-se investigar o ambiente antes de fechar diagnósticos de transtornos específicos.
A ESF deve atuar de forma interdisciplinar, realizando visitas domiciliares para compreender a dinâmica familiar e estabelecendo contato com a escola. O objetivo é identificar fatores de risco como negligência, violência doméstica ou falta de estímulo, construindo um Projeto Terapêutico Singular (PTS) que envolva a rede de apoio da criança, evitando a medicalização desnecessária.
A avaliação especializada (neuropediatra ou psiquiatra infantil) deve ser solicitada após a exclusão de fatores ambientais, sociais e sensoriais (como déficits visuais ou auditivos) e quando houver persistência dos sintomas mesmo após intervenções no contexto familiar e pedagógico, ou quando houver sinais claros de atraso global do desenvolvimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo