HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Mãe traz lactante de um ano e três meses de idade à Unidade Básica de Saúde. A mulher bastante preocupada queixa-se que nos últimos tempos o filho não come. Na avaliação observa-se que a curva de crescimento encontra-se no score Z-0. Neste acaso, a melhor conduta é:
Lactente com recusa alimentar + curva de crescimento normal → orientação familiar.
Em lactentes com queixa de recusa alimentar, mas com curva de crescimento dentro da normalidade (score Z-0), a conduta inicial mais adequada é a orientação e o aconselhamento familiar sobre hábitos alimentares saudáveis, sem necessidade imediata de exames ou intervenções mais invasivas.
A dificuldade alimentar em crianças é uma queixa comum nos consultórios pediátricos e Unidades Básicas de Saúde, gerando grande preocupação nos pais. É fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar uma recusa alimentar fisiológica ou comportamental de uma condição patológica que demande investigação. A epidemiologia mostra que até 50% das crianças podem apresentar algum grau de dificuldade alimentar em algum momento da infância. A avaliação de uma criança com queixa de 'não comer' deve sempre começar pela análise da curva de crescimento. O score Z-0 indica que o crescimento da criança está na média para sua idade e sexo, o que é um forte indicativo de que a ingestão calórica, apesar da percepção dos pais, é suficiente para suas necessidades. Nesses casos, a fisiopatologia da 'recusa' muitas vezes reside em fatores comportamentais, como a fase de autonomia, neofobia (aversão a alimentos novos) ou seletividade alimentar, que são comuns no desenvolvimento infantil. Diante de uma criança com crescimento adequado (score Z-0) e queixa de recusa alimentar, a conduta mais apropriada e eficaz é a orientação à família. Isso inclui aconselhamento sobre a importância de um ambiente tranquilo para as refeições, evitar distrações, respeitar os sinais de fome e saciedade da criança, oferecer uma variedade de alimentos saudáveis e não forçar a alimentação. A prescrição de suplementos ou polivitamínicos, ou a solicitação de exames de investigação, seria desnecessária e potencialmente iatrogênica neste cenário, desviando o foco do problema real e gerando ansiedade. A internação para investigação é reservada para casos graves de desnutrição ou falha de crescimento.
A recusa alimentar torna-se preocupante quando há comprometimento do ganho de peso e altura, desvio na curva de crescimento, sinais de deficiências nutricionais ou impacto significativo na qualidade de vida da criança e da família.
As causas podem ser variadas, incluindo fatores comportamentais (neofobia, seletividade), erros na introdução alimentar, problemas orgânicos (refluxo, alergias), ou mesmo fases normais do desenvolvimento onde a criança explora sua autonomia.
Orientações incluem oferecer refeições em ambiente tranquilo, evitar distrações, respeitar a saciedade da criança, não forçar a alimentação, oferecer alimentos variados e coloridos, e estabelecer rotinas alimentares consistentes.
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