Recusa Alimentar Infantil: Orientação e Crescimento Normal

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Mãe traz lactante de um ano e três meses de idade à Unidade Básica de Saúde. A mulher bastante preocupada queixa-se que nos últimos tempos o filho não come. Na avaliação observa-se que a curva de crescimento encontra-se no score Z-0. Neste acaso, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Orientação à família.
  2. B) Prescrever suplemento.
  3. C) Prescrever polivitamínicos.
  4. D) Solicitar exames de investigação.
  5. E) Internar para investigação.

Pérola Clínica

Lactente com recusa alimentar + curva de crescimento normal → orientação familiar.

Resumo-Chave

Em lactentes com queixa de recusa alimentar, mas com curva de crescimento dentro da normalidade (score Z-0), a conduta inicial mais adequada é a orientação e o aconselhamento familiar sobre hábitos alimentares saudáveis, sem necessidade imediata de exames ou intervenções mais invasivas.

Contexto Educacional

A dificuldade alimentar em crianças é uma queixa comum nos consultórios pediátricos e Unidades Básicas de Saúde, gerando grande preocupação nos pais. É fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar uma recusa alimentar fisiológica ou comportamental de uma condição patológica que demande investigação. A epidemiologia mostra que até 50% das crianças podem apresentar algum grau de dificuldade alimentar em algum momento da infância. A avaliação de uma criança com queixa de 'não comer' deve sempre começar pela análise da curva de crescimento. O score Z-0 indica que o crescimento da criança está na média para sua idade e sexo, o que é um forte indicativo de que a ingestão calórica, apesar da percepção dos pais, é suficiente para suas necessidades. Nesses casos, a fisiopatologia da 'recusa' muitas vezes reside em fatores comportamentais, como a fase de autonomia, neofobia (aversão a alimentos novos) ou seletividade alimentar, que são comuns no desenvolvimento infantil. Diante de uma criança com crescimento adequado (score Z-0) e queixa de recusa alimentar, a conduta mais apropriada e eficaz é a orientação à família. Isso inclui aconselhamento sobre a importância de um ambiente tranquilo para as refeições, evitar distrações, respeitar os sinais de fome e saciedade da criança, oferecer uma variedade de alimentos saudáveis e não forçar a alimentação. A prescrição de suplementos ou polivitamínicos, ou a solicitação de exames de investigação, seria desnecessária e potencialmente iatrogênica neste cenário, desviando o foco do problema real e gerando ansiedade. A internação para investigação é reservada para casos graves de desnutrição ou falha de crescimento.

Perguntas Frequentes

Quando a recusa alimentar em crianças é motivo de preocupação?

A recusa alimentar torna-se preocupante quando há comprometimento do ganho de peso e altura, desvio na curva de crescimento, sinais de deficiências nutricionais ou impacto significativo na qualidade de vida da criança e da família.

Quais são as principais causas de recusa alimentar em lactentes?

As causas podem ser variadas, incluindo fatores comportamentais (neofobia, seletividade), erros na introdução alimentar, problemas orgânicos (refluxo, alergias), ou mesmo fases normais do desenvolvimento onde a criança explora sua autonomia.

Que tipo de orientação nutricional pode ser oferecida à família?

Orientações incluem oferecer refeições em ambiente tranquilo, evitar distrações, respeitar a saciedade da criança, não forçar a alimentação, oferecer alimentos variados e coloridos, e estabelecer rotinas alimentares consistentes.

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