Dificuldade Alimentar Infantil: Abordagem na APS

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2018

Enunciado

Você está em seu atendimento de rotina na UBS e atende uma criança: Paula, de 4 anos, menina, P: 17Kg e E: 101cm, a mãe Dona Lourdes diz estar muito preocupada porque a filha não come nada e ela gostaria de fazer exames de rotina e que fosse prescrita uma vitamina para ela comer melhor. Ao explorar a reclamação da Dona Lourdes você percebe que ela tem uma boa aceitação de alimentos ricos em açúcares e sal, como doces, refrigerantes, salgadinhos e bolachas, porém não aceita bem alimentos naturais como frutas e verduras. A criança não apresenta outros sintomas, seu exame clínico encontra-se sem alterações. Os pais e avós são saudáveis sem qualquer problema de saúde. Qual será seu plano terapêutico frente a Paula e a Dona Lourdes?

Alternativas

  1. A) Solicitar que seja feito um recordatório alimentar durante três dias, exames de rotina como hemograma, colesterol, glicemia e função tireoidiana, prescrever um polivitamínico para melhorar o apetite e realizar orientação alimentar.
  2. B) Solicitar que seja feito um recordatório alimentar durante três dias, exames de rotina como colesterol, glicemia e função tireoidiana, prescrever um medicamento para abrir o apetite já que aos polivitamínicos não tem essa função e realizar orientação alimentar. 
  3. C) Tentar entender o hábito alimentar, a rotina e quais as reais dificuldades dessa família, compartilhar soluções, explicar que trata-se de uma criança saudável, peso e estatura adequados para a idade e que nesse caso não são necessários medicamentos ou exames. 
  4. D) Solicitar exames como colesterol, glicemia, hemograma, função tireoidiana. não prescrever medicamentos e fazer orientação alimentar.

Pérola Clínica

Criança com peso/estatura adequados e seletividade alimentar → orientação familiar, sem exames/medicamentos.

Resumo-Chave

Em crianças com queixa de 'não comer', mas com desenvolvimento ponderoestatural adequado e exame físico normal, a abordagem inicial deve ser a escuta qualificada da família, a investigação dos hábitos alimentares e a orientação sobre alimentação saudável, desmistificando a necessidade de exames ou suplementos desnecessários.

Contexto Educacional

A dificuldade alimentar em crianças é uma queixa comum na Atenção Primária, gerando grande ansiedade nos pais. É crucial que o profissional de saúde saiba diferenciar uma preocupação parental normal de um problema nutricional real. A epidemiologia mostra que a seletividade alimentar é frequente na primeira infância e, na maioria dos casos, não está associada a déficits de crescimento ou desenvolvimento. A fisiopatologia da seletividade alimentar é multifatorial, envolvendo aspectos comportamentais, ambientais e, por vezes, sensoriais. O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, incluindo recordatório alimentar, e no exame físico, com especial atenção ao desenvolvimento ponderoestatural (peso, estatura, IMC para idade). Se a criança apresenta curvas de crescimento normais e não há outros sinais de alerta, a intervenção deve focar na educação e apoio à família. O tratamento e prognóstico dependem da abordagem. Em crianças saudáveis, a conduta é não farmacológica, centrada na orientação nutricional, no estabelecimento de rotinas alimentares saudáveis, na promoção de um ambiente tranquilo para as refeições e na desmistificação da necessidade de suplementos ou exames desnecessários. O prognóstico é excelente com a orientação adequada, evitando a medicalização e o estresse familiar.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar seletividade alimentar de um problema nutricional grave em crianças?

A principal diferença reside no desenvolvimento ponderoestatural. Crianças com seletividade alimentar que mantêm peso e estatura adequados para a idade, sem outros sintomas, geralmente não têm um problema nutricional grave.

Qual a primeira abordagem para pais preocupados com a alimentação dos filhos?

A primeira abordagem é a escuta ativa e a investigação detalhada dos hábitos alimentares da família, rotina, e percepções dos pais. É fundamental tranquilizar os pais e oferecer orientação nutricional prática e individualizada.

Quando são indicados exames ou suplementos para crianças com dificuldade alimentar?

Exames e suplementos são indicados apenas se houver sinais de comprometimento do desenvolvimento ponderoestatural, deficiências nutricionais específicas, ou outros sintomas que sugiram uma condição médica subjacente. Em crianças saudáveis, são desnecessários.

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