PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2018
Você está em seu atendimento de rotina na UBS e atende uma criança: Paula, de 4 anos, menina, P: 17Kg e E: 101cm, a mãe Dona Lourdes diz estar muito preocupada porque a filha não come nada e ela gostaria de fazer exames de rotina e que fosse prescrita uma vitamina para ela comer melhor. Ao explorar a reclamação da Dona Lourdes você percebe que ela tem uma boa aceitação de alimentos ricos em açúcares e sal, como doces, refrigerantes, salgadinhos e bolachas, porém não aceita bem alimentos naturais como frutas e verduras. A criança não apresenta outros sintomas, seu exame clínico encontra-se sem alterações. Os pais e avós são saudáveis sem qualquer problema de saúde. Qual será seu plano terapêutico frente a Paula e a Dona Lourdes?
Criança com peso/estatura adequados e seletividade alimentar → orientação familiar, sem exames/medicamentos.
Em crianças com queixa de 'não comer', mas com desenvolvimento ponderoestatural adequado e exame físico normal, a abordagem inicial deve ser a escuta qualificada da família, a investigação dos hábitos alimentares e a orientação sobre alimentação saudável, desmistificando a necessidade de exames ou suplementos desnecessários.
A dificuldade alimentar em crianças é uma queixa comum na Atenção Primária, gerando grande ansiedade nos pais. É crucial que o profissional de saúde saiba diferenciar uma preocupação parental normal de um problema nutricional real. A epidemiologia mostra que a seletividade alimentar é frequente na primeira infância e, na maioria dos casos, não está associada a déficits de crescimento ou desenvolvimento. A fisiopatologia da seletividade alimentar é multifatorial, envolvendo aspectos comportamentais, ambientais e, por vezes, sensoriais. O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, incluindo recordatório alimentar, e no exame físico, com especial atenção ao desenvolvimento ponderoestatural (peso, estatura, IMC para idade). Se a criança apresenta curvas de crescimento normais e não há outros sinais de alerta, a intervenção deve focar na educação e apoio à família. O tratamento e prognóstico dependem da abordagem. Em crianças saudáveis, a conduta é não farmacológica, centrada na orientação nutricional, no estabelecimento de rotinas alimentares saudáveis, na promoção de um ambiente tranquilo para as refeições e na desmistificação da necessidade de suplementos ou exames desnecessários. O prognóstico é excelente com a orientação adequada, evitando a medicalização e o estresse familiar.
A principal diferença reside no desenvolvimento ponderoestatural. Crianças com seletividade alimentar que mantêm peso e estatura adequados para a idade, sem outros sintomas, geralmente não têm um problema nutricional grave.
A primeira abordagem é a escuta ativa e a investigação detalhada dos hábitos alimentares da família, rotina, e percepções dos pais. É fundamental tranquilizar os pais e oferecer orientação nutricional prática e individualizada.
Exames e suplementos são indicados apenas se houver sinais de comprometimento do desenvolvimento ponderoestatural, deficiências nutricionais específicas, ou outros sintomas que sugiram uma condição médica subjacente. Em crianças saudáveis, são desnecessários.
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