Dieta na Cirrose Hepática: Recomendações Nutricionais

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 58 anos, portador de cirrose devido a etilismo, está em seguimento ambulatorial. Em uso atualmente de furose- mida e espironolactona. Ao exame físico, com Glasgow 15, orientado em tempo e espaço, PA = 100 x 60 mmHg, FC = 102 bpm, sem demais achados ao exame físico. Estratificado com Child B. A orientação de prescrição de dieta desse paciente deve ser:

Alternativas

  1. A) hipercalórica e hiperproteica.
  2. B) hipercalórica e hipoproteica.
  3. C) normocalórica e hipoproteica.
  4. D) hipocalórica e hiperproteica.
  5. E) hipocalórica e hipoproteica.

Pérola Clínica

Cirrose (Child B) sem encefalopatia → dieta hipercalórica e hiperproteica para combater desnutrição.

Resumo-Chave

Pacientes com cirrose hepática, mesmo em estágios intermediários (Child B) e sem encefalopatia hepática manifesta, frequentemente sofrem de desnutrição. A dieta deve ser hipercalórica e hiperproteica para combater o catabolismo e manter a massa muscular, sendo a restrição proteica reservada apenas para casos de encefalopatia grave e refratária.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que leva à fibrose e disfunção hepática, frequentemente resultando em desnutrição. A desnutrição é uma complicação comum e grave em pacientes cirróticos, impactando negativamente a morbidade e mortalidade. Por isso, a terapia nutricional é um pilar fundamental no manejo desses pacientes. Apesar da preocupação histórica com a encefalopatia hepática (EH) e a restrição proteica, a recomendação atual para pacientes cirróticos sem EH manifesta é uma dieta hipercalórica e hiperproteica. O objetivo é fornecer energia adequada (35-40 kcal/kg/dia) e proteínas (1.2-1.5 g/kg/dia) para combater o catabolismo, preservar a massa muscular e melhorar o estado nutricional. A restrição proteica só é considerada em casos de EH grave e refratária, e mesmo assim, deve ser a mínima necessária e por tempo limitado. O paciente do caso, com cirrose Child B e sem sinais de encefalopatia (Glasgow 15, orientado), se enquadra na indicação de dieta hipercalórica e hiperproteica. É importante fracionar as refeições ao longo do dia, incluindo um lanche noturno, para evitar o jejum prolongado e o catabolismo noturno. O manejo da ascite com diuréticos (furosemida e espironolactona) é uma conduta padrão, mas não altera a necessidade de suporte nutricional adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da dieta hiperproteica em pacientes com cirrose?

A dieta hiperproteica é crucial para combater a desnutrição e o catabolismo muscular, comuns na cirrose, ajudando a manter a massa magra e melhorar o prognóstico, a menos que haja encefalopatia hepática grave.

Quando a restrição proteica é indicada na cirrose?

A restrição proteica é indicada apenas em casos de encefalopatia hepática grave e refratária ao tratamento, e deve ser feita com cautela e por curtos períodos, sempre visando a mínima restrição necessária.

Como a classificação Child-Pugh influencia a abordagem nutricional?

Pacientes Child A e B geralmente se beneficiam de dietas hipercalóricas e hiperproteicas. Em Child C, a desnutrição é mais acentuada e a abordagem nutricional se torna ainda mais crítica, mas a restrição proteica ainda é evitada se não houver encefalopatia.

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