SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2025
O jejum é reconhecido como tratamento para diversas condições há muitos anos, sendo associado a diminuição da gravidade de convulsões no século XX, com melhora cognitiva dos pacientes. Assim como ocorre durante o jejum, a ingestão de uma dieta pobre em gordura e em carboidratos favorece a manutenção da produção de acetona e ácido-butírico. A modalidade de dieta cetogênica mais utilizada para o tratamento da epilepsia refratária, que promove maiores níveis de cetose e é mais eficaz em menores de 2 anos é a dieta cetogênica clássica, que propõe a utilização de 1 g/kg/dia de proteína, 10-15 g/dia de carboidrato, com proporção de gorduras que respeite a razão 4:1. São contraindicações ao uso da dieta cetogênica, as condições abaixo EXCETO:
Dieta Cetogênica → Epilepsia refratária; Contraindicada em defeitos da oxidação de ácidos graxos.
A dieta cetogênica é uma terapia metabólica eficaz para epilepsia de difícil controle, mas exige exclusão de erros inatos do metabolismo que impedem o uso de gordura como energia.
A dieta cetogênica mimetiza o estado metabólico do jejum, promovendo a produção de corpos cetônicos que possuem propriedades neuroprotetoras e anticonvulsivantes. É indicada principalmente para crianças com epilepsia refratária a pelo menos dois fármacos antiepilépticos adequadamente escolhidos e tolerados. Além da epilepsia, é o tratamento de escolha para condições específicas como a deficiência do transportador de glicose tipo 1 (GLUT1) e a deficiência de piruvato desidrogenase. O sucesso da terapia depende de uma triagem metabólica rigorosa prévia para excluir doenças da beta-oxidação e de um acompanhamento multidisciplinar. Complicações agudas como hipoglicemia, vômitos e acidose podem ocorrer no início, enquanto a longo prazo deve-se monitorar o crescimento, a saúde óssea e o perfil lipídico. A dieta cetogênica clássica (proporção 4:1 ou 3:1) é a mais estudada, mas variantes como a Dieta de Atkins Modificada também mostram eficácia com melhor adesão em adolescentes e adultos.
As contraindicações absolutas à dieta cetogênica são principalmente erros inatos do metabolismo que impedem a utilização de gorduras como fonte de energia. Isso inclui deficiências na oxidação de ácidos graxos (como deficiência de MCAD, LCAD, SCAD), deficiência de carnitina (primária ou de palmitoiltransferase), deficiência de piruvato carboxilase e porfiria. Nestas condições, a tentativa de induzir cetose pode levar a hipoglicemia grave, acidose metabólica, coma e morte, pois o organismo não consegue processar a alta carga lipídica ou produzir corpos cetônicos de forma segura.
A proporção 4:1 na dieta cetogênica clássica refere-se à razão entre a massa de gorduras e a soma das massas de proteínas e carboidratos (4 gramas de gordura para cada 1 grama de proteína + carboidrato). Esta proporção é rigorosa e visa garantir que aproximadamente 90% das calorias totais venham de lipídios. Essa alta ingestão de gordura força o fígado a converter ácidos graxos em corpos cetônicos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato e acetona), que atravessam a barreira hematoencefálica e servem como fonte de energia alternativa, exercendo efeitos anticonvulsivantes diretos e indiretos.
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) não é uma contraindicação para a dieta cetogênica, mas sim uma restrição dietética que exige adaptação. Existem fórmulas cetogênicas especializadas e planos alimentares baseados em outras fontes de gordura e proteína (como óleos vegetais, carnes e ovos) que podem ser utilizados. O manejo nutricional deve ser ajustado para excluir laticínios, garantindo que a proporção cetogênica e o aporte de micronutrientes sejam mantidos sem desencadear reações alérgicas no paciente.
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