SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Pré-escolar, 4 anos, com relato de diarreia há 2 dias com fezes volumosas, várias vezes ao dia. Não aceita dieta há 12 horas (em jejum) e nesse período já apresentou 8 evacuações. Genitora leva a criança para a emergência porque a criança apresenta os olhos encovados, sonolência e taquicardia. Para organizar um plano terapêutico, o tipo de diarreia mais provável desse paciente e o agente etiológico comumente associado são:
Diarreia secretória grave em pré-escolar com desidratação = suspeitar de Vibrio cholerae.
A diarreia secretória é caracterizada por grande volume de fezes aquosas, persistindo mesmo em jejum, e levando rapidamente à desidratação grave. O Vibrio cholerae é um agente clássico desse tipo de diarreia, liberando toxinas que ativam a secreção de água e eletrólitos no intestino.
A diarreia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em pré-escolares. A diarreia secretória é um tipo grave, caracterizada pela perda maciça de água e eletrólitos para o lúmen intestinal, resultando em fezes aquosas e volumosas que persistem mesmo na ausência de ingestão alimentar. Essa condição leva rapidamente à desidratação grave, que se manifesta por sinais como olhos encovados, sonolência, taquicardia e, em casos mais avançados, choque hipovolêmico. O agente etiológico clássico da diarreia secretória é o Vibrio cholerae, que produz uma enterotoxina (toxina colérica) que ativa a adenilato ciclase nas células da mucosa intestinal, levando à secreção ativa de cloreto e água. Outros agentes como E. coli enterotoxigênica (ETEC) também podem causar diarreia secretória. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e sinais de desidratação, e pode ser confirmado por exames laboratoriais para identificar o agente etiológico, embora o tratamento empírico seja frequentemente iniciado. O manejo da diarreia secretória com desidratação grave é uma emergência pediátrica. A prioridade é a rápida reposição volêmica com soluções intravenosas isotônicas, seguida pela correção de eletrólitos e o início de antibioticoterapia específica se houver suspeita de cólera ou outro agente bacteriano sensível. A reidratação oral, embora fundamental para casos leves a moderados, pode ser insuficiente em casos graves, exigindo acesso venoso. A prevenção, através de saneamento básico e higiene, é crucial para reduzir a incidência dessas infecções.
Sinais de desidratação grave incluem olhos encovados, sonolência ou letargia, taquicardia, hipotensão, perda de turgor cutâneo, fontanela deprimida (em lactentes) e ausência de lágrimas.
A diarreia secretória é caracterizada por fezes aquosas e volumosas que persistem mesmo em jejum, enquanto a diarreia osmótica melhora ou cessa quando a ingestão de alimentos é interrompida.
A conduta inicial envolve a reposição rápida de fluidos intravenosos (solução salina isotônica) em bolus, seguida de reavaliação contínua e correção de distúrbios eletrolíticos, além de tratamento da causa subjacente.
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