Diarreia Sanguinolenta em Idosos: Diagnóstico e Tratamento

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 63 anos apresenta diarreia aguda há três dias, com oito evacuações ao dia, de fezes amolecidas e contendo sangue. Relata dor na fossa ilíaca esquerda, náuseas, vômitos e hiporexia. Possui doença de Parkinson e HAS, e faz uso de anlodipino e levodopa-benserazida. Por causa de prostração, foi levada ao PS. Ao exame físico, PA 100/70mmHg, FC 88bpm, FR 20ipm, SpO2 98% (em ar ambiente). Apresenta-se alerta e orientada. As mucosas estão coradas e desidratadas. O exame abdominal revelou dor à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. EXAMES DE LABORATÓRIO: HG 13,4g/dL; LG 12.870/mm³; NS 9.740/mm³; PLQ 187.000/mm3; PCR 34mg/L; creat 1,8mg/dL; ureia 98mg/dL; sódio 124mEq/L; potássio 4,8mEq/L; BT 0,6mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso:

Alternativas

  1. A) Infusão intravenosa de solução de cloreto de sódio 3%
  2. B) Prescrição de ciprofloxacino
  3. C) Prescrição de loperamida
  4. D) Prescrição de metoclopramida

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta + febre + sinais sistêmicos em idoso → suspeitar colite bacteriana grave. Indicar antibiótico empírico (ex: ciprofloxacino) e hidratação. Loperamida contraindicada.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com diarreia sanguinolenta, dor abdominal e sinais de resposta inflamatória sistêmica (leucocitose, PCR elevada), a suspeita de colite bacteriana grave é alta. A presença de desidratação, hiponatremia e insuficiência renal aguda pré-renal reforça a necessidade de tratamento agressivo, incluindo antibioticoterapia empírica com cobertura para patógenos entéricos invasivos, como o ciprofloxacino.

Contexto Educacional

A diarreia aguda em idosos é uma condição que exige atenção especial devido à maior fragilidade desses pacientes e ao risco elevado de desidratação, desequilíbrio eletrolítico e complicações sistêmicas. A presença de sangue nas fezes (disenteria), dor abdominal significativa e sinais de resposta inflamatória sistêmica (leucocitose, PCR elevada) sugere uma etiologia bacteriana invasiva, como colite infecciosa, que pode ser grave. Nesse cenário, a conduta inicial deve focar na estabilização hemodinâmica e na reidratação, corrigindo os distúrbios eletrolíticos como a hiponatremia. A antibioticoterapia empírica é frequentemente indicada devido à gravidade do quadro e aos fatores de risco do paciente. O ciprofloxacino é uma escolha comum para cobrir patógenos entéricos bacterianos. É crucial evitar o uso de agentes antidiarreicos que diminuem a motilidade intestinal, como a loperamida, em casos de diarreia sanguinolenta, pois podem agravar a condição e aumentar o risco de complicações graves. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de alarme na diarreia aguda, especialmente em populações vulneráveis como os idosos. A avaliação da hidratação, função renal e eletrólitos é essencial. A decisão de iniciar antibióticos deve ser baseada na gravidade clínica e nos fatores de risco, sempre considerando as contraindicações de certas medicações para evitar iatrogenia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em um paciente com diarreia aguda?

Sinais de gravidade incluem febre alta, diarreia sanguinolenta (disenteria), dor abdominal intensa, desidratação grave, sinais de toxicidade sistêmica (letargia, confusão), hipotensão, insuficiência renal aguda e leucocitose significativa. Idade avançada e comorbidades também são fatores de risco para pior prognóstico.

Quando a antibioticoterapia é indicada na diarreia aguda?

Antibióticos são indicados em casos de diarreia grave com disenteria, febre alta, sinais de toxicidade sistêmica, pacientes imunocomprometidos, idosos ou com comorbidades significativas, e em infecções por patógenos específicos como Shigella, Campylobacter ou Salmonella invasiva. O ciprofloxacino é uma opção comum para tratamento empírico.

Por que a loperamida é contraindicada na diarreia sanguinolenta?

A loperamida, um agente antimotilidade, é contraindicada na diarreia sanguinolenta (disenteria) porque pode prolongar o tempo de contato das toxinas bacterianas com a mucosa intestinal, aumentando o risco de complicações como megacólon tóxico e síndrome hemolítico-urêmica (especialmente em infecções por E. coli O157:H7).

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