Diarreia Pós-Colecistectomia: Causas e Manejo

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 50 anos apresenta diarreia volumosa, não sanguínea, com piora após ingestão de alimentos gordurosos. Ele realizou uma colecistectomia há dois meses. O exame físico está dentro da normalidade, e os exames laboratoriais não mostram sinais de infecção ou especialização. Com base no quadro clínico, qual é o mecanismo fisiopatológico mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome do intestino curto.
  2. B) Diarreia osmótica secundária à deficiência enzimática.
  3. C) Diarreia secreta por excesso de sais biliares no cólon.
  4. D) Má absorção de gorduras devido à ausência de bile.

Pérola Clínica

Diarreia pós-colecistectomia com piora por gordura → diarreia secretora por excesso de sais biliares no cólon.

Resumo-Chave

Após a colecistectomia, a bile flui continuamente para o intestino delgado, em vez de ser armazenada e liberada em resposta à ingestão de gordura. Isso pode levar a um excesso de sais biliares no cólon, que irritam a mucosa e causam diarreia secretora, especialmente após refeições gordurosas.

Contexto Educacional

A colecistectomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, e embora geralmente segura, pode levar a complicações pós-operatórias, sendo a diarreia uma delas. A diarreia pós-colecistectomia é um tema relevante para a prática clínica e para provas de residência, exigindo compreensão de sua fisiopatologia e manejo. O mecanismo fisiopatológico mais provável para a diarreia pós-colecistectomia é o excesso de sais biliares no cólon. Sem a vesícula biliar para armazenar e liberar a bile de forma controlada, a bile flui continuamente para o intestino delgado. Em alguns indivíduos, essa bile não é totalmente reabsorvida no íleo terminal e atinge o cólon, onde os sais biliares desconjugados irritam a mucosa e promovem a secreção de água e eletrólitos, resultando em diarreia secretora. O diagnóstico é clínico, baseado na história de colecistectomia e nos sintomas de diarreia aquosa, que piora com alimentos gordurosos. O tratamento geralmente envolve a modificação da dieta, com redução da ingestão de gorduras, e o uso de sequestrantes de sais biliares, como a colestiramina, que se ligam aos sais biliares e impedem sua ação irritante no cólon, proporcionando alívio sintomático.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre diarreia após a colecistectomia?

Após a remoção da vesícula biliar, a bile flui de forma contínua e não regulada para o intestino. Um excesso de sais biliares pode atingir o cólon, onde irritam a mucosa e estimulam a secreção de água e eletrólitos, resultando em diarreia.

Como diferenciar a diarreia por sais biliares de outras causas de diarreia?

A diarreia por sais biliares é tipicamente aquosa, não sanguinolenta, e pode piorar após a ingestão de alimentos gordurosos. O diagnóstico pode ser confirmado por testes como o SeHCAT ou, empiricamente, pela resposta ao tratamento com sequestrantes de sais biliares.

Qual o tratamento para a diarreia por sais biliares pós-colecistectomia?

O tratamento de primeira linha envolve o uso de sequestrantes de sais biliares, como a colestiramina ou o colesevelam, que se ligam aos sais biliares no intestino e impedem sua reabsorção e irritação colônica, aliviando os sintomas.

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