SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Uma família que reside na periferia urbana recebe a visita de médico que constata que as crianças (menina de 8 anos e menino de 1 ano) e sua mãe estão apresentando diarreia esverdeada, explosiva, aquosa, fétida, com fezes em grande quantidade e com restos alimentares; sem febre, sendo esses episódios repetidos nos últimos seis meses. Referem cólicas e aumento do volume abdominal, tendo a criança menor apresentado sintomas no dia da consulta. As crianças pararam de beber leite pois aumentava os sintomas. Já haviam comparecido na UBS onde exames foram solicitados, mas não realizados. Apresentam regular estado geral, hidratados, afebris e corados. O menino cursa com discreta distensão abdominal nesta data.Com base nas informações, classifique a diarreia quanto ao mecanismo fisiopatológico:
Fezes volumosas + restos alimentares + piora com leite + distensão = Malabsorção.
A diarreia por malabsorção (ou osmótica) ocorre quando solutos não absorvidos retêm água no lúmen intestinal, resultando em fezes explosivas, ácidas e com restos alimentares.
A abordagem sindrômica das diarreias requer a distinção clara entre os mecanismos fisiopatológicos: osmótico, secretório, inflamatório e motor. O caso clínico apresentado é clássico de má absorção de carboidratos, provavelmente secundária a uma deficiência de lactase (seja primária ou secundária a insultos prévios na mucosa). A tríade de distensão abdominal, fezes explosivas e melhora com a retirada do leite é patognomônica. Além da intolerância à lactose, outras causas de malabsorção incluem a doença celíaca, insuficiência pancreática exócrina e supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO). O diagnóstico baseia-se na história clínica, teste de hidrogênio expirado ou resposta à dieta de exclusão. Em crianças, a manutenção do estado nutricional e hidratação é a prioridade, enquanto se investiga a causa base para evitar déficits de crescimento a longo prazo.
A diarreia secretória é causada pela secreção ativa de eletrólitos e água pelas células epiteliais intestinais (ex: toxina colérica), persistindo mesmo em jejum. Já a diarreia por malabsorção (osmótica) é causada pela presença de substâncias osmoticamente ativas não absorvidas no lúmen (ex: lactose em intolerantes), que 'puxam' água. Clinicamente, a diarreia osmótica melhora significativamente com o jejum ou suspensão do agente causal.
Na ausência da enzima lactase, a lactose não é hidrolisada em glicose e galactose. Ela permanece no lúmen, exercendo efeito osmótico. Ao chegar no cólon, a microbiota fermenta essa lactose, produzindo gases (H2, CO2, CH4) e ácidos graxos de cadeia curta. Isso resulta em distensão abdominal, flatulência e fezes explosivas, ácidas e aquosas.
A presença de restos alimentares macroscópicos (lienteria) sugere um trânsito intestinal acelerado ou uma falha enzimática/absortiva significativa. No contexto de má absorção, indica que o processo digestivo proximal foi insuficiente para processar os nutrientes, frequentemente associado a síndromes de má absorção gordurosa (esteatorreia) ou de carboidratos.
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