Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
A correta correlação entre causa de diarreia e manifestação clínica está contida na seguinte alternativa:
Diarreia por C. difficile → Pode ocorrer até meses (até 6 meses) após uso de antibióticos.
O C. difficile é a principal causa de diarreia nosocomial, surgindo pela disbiose causada por antibióticos que permitem a proliferação e liberação de toxinas da bactéria.
A diarreia infecciosa é uma causa comum de morbidade, e a correlação entre o agente e a clínica é fundamental. O Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium) é um bacilo gram-positivo formador de esporos que se aproveita da destruição da flora intestinal comensal. A colite pseudomembranosa é sua forma mais grave. Em contraste, outras etiologias possuem características distintas: o Norovírus tem incubação curtíssima (12-48h) e alta infectividade; o S. aureus causa quadros de intoxicação alimentar rápida (2-6h) via enterotoxinas pré-formadas no alimento; e a Shigella causa síndrome disentérica clássica, exigindo tratamento com ciprofloxacino ou azitromicina, nunca metronidazol, que é reservado para anaeróbios ou protozoários como a Giardia e Entamoeba.
Embora a diarreia por Clostridioides difficile frequentemente ocorra durante ou logo após o uso de antibióticos (geralmente nos primeiros 7 a 10 dias), o risco permanece elevado por um período prolongado. Estudos mostram que a manifestação clínica pode surgir até 2 ou 3 meses após a interrupção da terapia antimicrobiana. Em alguns contextos clínicos e dependendo da persistência da disbiose intestinal, casos tardios podem ser observados em até 6 meses, embora sejam menos comuns que no período imediato ao uso do fármaco.
Praticamente qualquer antibiótico pode predispor à infecção por C. difficile ao alterar a microbiota intestinal normal. No entanto, as classes mais frequentemente implicadas incluem as clindamicinas, as fluoroquinolonas (como ciprofloxacino e levofloxacino), as cefalosporinas de segunda e terceira geração e as penicilinas de amplo espectro. O uso concomitante de inibidores de bomba de prótons (IBPs) também é considerado um fator de risco adicional importante por alterar o pH gástrico.
A diarreia por C. difficile caracteriza-se por ser tipicamente nosocomial, com fezes líquidas, odor fétido característico, dor abdominal e leucocitose. Diferente do S. aureus, que causa vômitos precoces por toxina pré-formada, ou do Norovírus, que tem curso autolimitado e explosivo com incubação curta, o C. difficile pode evoluir para colite pseudomembranosa. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa de toxinas A/B nas fezes ou teste de GDH, e o tratamento de escolha atual envolve vancomicina oral ou fidaxomicina.
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