UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Pré-escolar do sexo feminino comparece à Unidade de Pronto Atendimento acompanhada da avó que refere que há 12 dias a menor vem apresentando fezes liquido-pastosas, por volta de 6 episódios por dia, com sangue em pequena quantidade e muco, além de episódios eventuais de vômitos e febre que iniciou há dois dias, de até 38,5ºC. Não aceita bem a dieta e tem baixa ingesta de líquidos, pois sente náuseas. Avó relata que estava oferecendo apenas medicações sintomáticas para a criança. Última diurese há mais ou menos 6h, em pequena quantidade. Ao exame físico, paciente se mostra agitada e irritada, tem os olhos encovados, boca seca, chora sem lágrimas, está febril (38,3ºC) e taquicárdica. Sobre este caso é correto afirmar que:
Diarreia >10 dias + sangue + desidratação moderada → Diarreia persistente com disenteria, SRO supervisionada e ATB.
A criança apresenta diarreia persistente (mais de 10 dias), com disenteria (sangue e muco nas fezes) e desidratação moderada (olhos encovados, boca seca, chora sem lágrimas, taquicardia, agitação). A conduta inclui reidratação oral supervisionada e antibioticoterapia devido à disenteria e sinais de toxemia.
A diarreia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, especialmente em países em desenvolvimento. A classificação correta quanto à duração (aguda, persistente, crônica), presença de sangue (disenteria) e grau de desidratação é fundamental para o manejo adequado e para evitar complicações graves como o choque hipovolêmico. No caso apresentado, a duração de 12 dias classifica a diarreia como persistente, a presença de sangue e muco indica disenteria, e os sinais clínicos (olhos encovados, boca seca, choro sem lágrimas, taquicardia, agitação) apontam para desidratação moderada. A febre e a baixa ingesta de líquidos agravam o quadro. A fisiopatologia da disenteria geralmente envolve agentes bacterianos enteroinvasivos que causam dano à mucosa intestinal. O tratamento da desidratação moderada é feito com Terapia de Reidratação Oral (SRO) supervisionada na unidade de saúde. A presença de disenteria e sinais de toxemia justifica o uso de antibioticoterapia empírica, geralmente com cobertura para bactérias enteroinvasivas como Shigella, Salmonella ou Campylobacter. Anti-eméticos e antiperistálticos não são rotineiramente recomendados em crianças com diarreia aguda/persistente, especialmente na presença de disenteria, devido ao risco de efeitos adversos e prolongamento da doença.
Sinais incluem olhos encovados, boca e língua secas, choro sem lágrimas, diminuição da elasticidade da pele, taquicardia, agitação ou irritabilidade e oligúria.
Antibióticos são indicados em diarreia com sangue (disenteria), suspeita de cólera, diarreia em imunocomprometidos ou com sinais de toxemia grave, após avaliação clínica.
Diarreia aguda dura até 14 dias, enquanto a diarreia persistente se estende por 14 dias ou mais. A diarreia crônica dura mais de 30 dias.
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