SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023
Lactente, 9 meses, comparece à consulta de puericultura. Mãe refere que, há 20 dias, paciente apresentou coriza, vômitos, febre e diarréia. Os sintomas mencionados cessaram, exceto a diarreia, que persiste até o momento. Genitora relata que as fezes são de aspecto explosivo, sem presença de sangue ou muco. Ao exame físico, paciente ativo, reativo, hidratado, com leve distensão abdominal e dermatite na região do períneo. Não foram observados outros achados. Considerando a principal hipótese, a conduta adotada deve ser:
Diarreia persistente pós-viral com fezes explosivas e dermatite perianal → Intolerância à lactose secundária.
A diarreia persistente após um quadro viral agudo, com fezes explosivas e dermatite perianal, é altamente sugestiva de intolerância à lactose secundária. A lesão da mucosa intestinal pela infecção viral pode levar a uma deficiência transitória da lactase, dificultando a digestão da lactose.
A diarreia persistente em lactentes, definida como episódios diarreicos com duração superior a 14 dias, é uma preocupação comum na pediatria. Uma causa frequente, especialmente após um quadro de gastroenterite viral aguda, é a intolerância à lactose secundária. Esta condição ocorre devido à lesão transitória da mucosa intestinal, que resulta em deficiência da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose. A fisiopatologia envolve a má absorção da lactose não digerida no intestino delgado, que chega ao cólon e é fermentada por bactérias, produzindo ácidos graxos de cadeia curta e gases, além de atrair água por osmose, resultando em diarreia aquosa e explosiva. O diagnóstico é clínico, baseado na história de diarreia pós-infecciosa, nos sintomas característicos e na melhora com a exclusão da lactose da dieta. A conduta principal é a suspensão temporária da lactose da dieta, utilizando fórmulas infantis sem lactose ou evitando produtos lácteos. A maioria dos casos é autolimitada, com recuperação da atividade da lactase em algumas semanas. O prognóstico é excelente com o manejo dietético adequado. Pontos de atenção incluem a reintrodução gradual da lactose e a diferenciação de outras causas de diarreia crônica.
A intolerância à lactose secundária é frequentemente causada por danos temporários às células da mucosa intestinal (enterócitos) que produzem a enzima lactase, geralmente após infecções virais como gastroenterites.
Os sintomas incluem diarreia aquosa e explosiva, distensão abdominal, flatulência, cólicas e, em casos de diarreia prolongada, dermatite perianal devido à irritação das fezes ácidas.
A conduta inicial é a suspensão temporária da lactose da dieta, utilizando fórmulas sem lactose para lactentes ou evitando produtos lácteos em crianças maiores, com reintrodução gradual após a melhora dos sintomas.
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