Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Analise as afirmativas a seguir relativas à diarreia.I. Redução do volume fecal com jejum e aumento do gap osmótico fecal podem sugerir diarreia osmótica.II. Grande volume, pequena mudança com jejum e gap osmótico fecal normal podem sugerir diarreia secretória.III. Febre, hematoquezia e dor abdominal podem sugerir diarreia de causa inflamatória. Estão corretas as afirmativas
Diarreia osmótica ↓ com jejum e ↑ gap osmótico; Diarreia secretória não ↓ com jejum e gap normal; Diarreia inflamatória = febre, hematoquezia, dor.
A diferenciação entre os tipos de diarreia (osmótica, secretória e inflamatória) é fundamental para o diagnóstico etiológico e manejo. A resposta ao jejum e o cálculo do gap osmótico fecal são ferramentas importantes para distinguir diarreias osmóticas de secretórias, enquanto a presença de febre, hematoquezia e dor abdominal sugere um processo inflamatório.
A diarreia é definida como o aumento da frequência ou diminuição da consistência das evacuações, sendo um sintoma comum com diversas etiologias. Sua importância clínica reside no risco de desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em populações vulneráveis como crianças e idosos. A classificação fisiopatológica em osmótica, secretória e inflamatória é crucial para direcionar a investigação diagnóstica e o tratamento. A fisiopatologia da diarreia osmótica envolve a presença de solutos não absorvíveis no lúmen intestinal, que retêm água por osmose, resultando em fezes líquidas que cessam com o jejum e apresentam um gap osmótico fecal elevado. A diarreia secretória, por sua vez, é causada pela secreção ativa de eletrólitos e água pelas células intestinais, não cessando com o jejum e apresentando um gap osmótico fecal normal. A diarreia inflamatória resulta de danos à mucosa intestinal, com inflamação, exsudação de proteínas, sangue e muco, frequentemente acompanhada de febre e dor abdominal. O tratamento da diarreia é etiológico, mas o suporte hidroeletrolítico é a base do manejo inicial. A diferenciação clínica e laboratorial é fundamental: a diarreia osmótica melhora com a restrição do agente osmótico, enquanto a secretória exige tratamento da causa subjacente (ex: tumores secretores). A diarreia inflamatória pode necessitar de antibióticos ou imunossupressores, dependendo da etiologia. A avaliação do gap osmótico fecal e a resposta ao jejum são ferramentas diagnósticas valiosas para guiar a conduta.
O gap osmótico fecal (290 - 2 x [Na+ fecal + K+ fecal]) é elevado (>125 mOsm/kg) na diarreia osmótica, indicando a presença de solutos não absorvidos no lúmen intestinal. Na diarreia secretória, o gap osmótico é normal (<50 mOsm/kg), pois a diarreia é causada por secreção ativa de eletrólitos e água.
As principais causas de diarreia osmótica incluem deficiência de lactase (intolerância à lactose), ingestão de laxantes osmóticos (como lactulose ou sais de magnésio), má absorção de carboidratos e uso de antiácidos contendo magnésio.
A diarreia inflamatória é caracterizada pela presença de febre, dor abdominal tipo cólica, tenesmo e, frequentemente, sangue (hematoquezia) e muco nas fezes. É causada por agentes infecciosos invasivos (como Shigella, Salmonella, Campylobacter) ou doenças inflamatórias intestinais.
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