Diarreia Crônica: Tipos e Fisiopatologia Essencial

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023

Enunciado

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13,2% dos óbitos na infância estão relacionados à doença diarreica. Sobre a diarreia crônica, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A diarreia osmótica é causada por nutrientes não absorvidos no lúmen intestinal, como por exemplo em pacientes com doença celíaca.
  2. B) O gastrinoma (síndrome de Zollinger-Ellison) caracteriza-se fundamentalmente por distensão abdominal e extrema dificuldade evacuatória decorrente da ausência dos gânglios mioentéricos.
  3. C) As fezes volumosas, de aspecto brilhante, odor pútrido e que boiam no vaso sanitário caracterizam a esteatorreia, frequentemente observada em pacientes com intolerância à lactose.
  4. D) A diarreia crônica é definida como perda entérica fecal de pelo menos 20g/kg/dia em lactentes e 100g/dia para crianças maiores, pelo prazo superior a 7 dias de duração.

Pérola Clínica

Diarreia osmótica = nutrientes não absorvidos no lúmen intestinal, como na doença celíaca.

Resumo-Chave

A diarreia osmótica ocorre quando substâncias osmoticamente ativas não são absorvidas no lúmen intestinal, retendo água e aumentando o volume fecal. É caracteristicamente aliviada pelo jejum e pode ser causada por má absorção (ex: doença celíaca, deficiência de lactase) ou ingestão de laxativos osmóticos.

Contexto Educacional

A diarreia crônica é um desafio diagnóstico e terapêutico, definida como a alteração da consistência das fezes (amolecidas ou líquidas) e/ou aumento da frequência evacuatória por mais de quatro semanas. A Organização Mundial da Saúde destaca a relevância das doenças diarreicas na mortalidade infantil. A compreensão dos mecanismos fisiopatológicos é fundamental para a abordagem clínica. A diarreia osmótica ocorre quando solutos não absorvíveis permanecem no lúmen intestinal, atraindo água por osmose. Exemplos incluem intolerância à lactose (deficiência de lactase), má absorção de carboidratos ou gorduras (como na doença celíaca ou insuficiência pancreática) e uso de laxativos osmóticos. A característica distintiva é a melhora ou cessação da diarreia com o jejum, e um gap osmótico fecal aumentado. Em contraste, a diarreia secretora é causada por secreção ativa de água e eletrólitos para o lúmen, persistindo mesmo em jejum. O gastrinoma (Síndrome de Zollinger-Ellison) é um exemplo de diarreia secretora devido ao excesso de gastrina estimulando a secreção ácida gástrica e inibindo a absorção intestinal. A esteatorreia, por sua vez, é a presença de gordura nas fezes, indicando má absorção lipídica, e suas fezes são volumosas, brilhantes e fétidas, mas não é sinônimo de intolerância à lactose. O diagnóstico diferencial correto é crucial para o manejo adequado da diarreia crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características da diarreia osmótica?

A diarreia osmótica é caracterizada pela presença de substâncias não absorvidas no lúmen intestinal que retêm água. Ela tipicamente melhora ou cessa com o jejum e tem um gap osmótico fecal elevado.

Como a doença celíaca causa diarreia osmótica?

Na doença celíaca, a ingestão de glúten causa dano à mucosa do intestino delgado, levando à atrofia das vilosidades e má absorção de nutrientes, incluindo carboidratos, que agem osmoticamente no lúmen.

Qual a diferença entre diarreia osmótica e diarreia secretora?

A diarreia osmótica cessa com o jejum e é causada por solutos não absorvidos. A diarreia secretora persiste mesmo em jejum, sendo causada por secreção ativa de fluidos e eletrólitos para o lúmen, como na cólera ou gastrinoma.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo