PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
Lactente, com oito meses de idade, gênero masculino, previamente saudável, desenvolve diarreia mucossanguinolenta, vômitos e febre há dois dias. Ao exame, está hidratado; prostrado; bulhas taquicárdicas; abdome doloroso à palpação e peristaltismo aumentado. Demais aparelhos sem alterações. O exame direto das fezes revela aumento de leucócitos. O nível socioeconômico é precário. Em relação a este caso, assinale a alternativa CORRETA:
Diarreia mucossanguinolenta + febre + prostração em lactente → Internação + precaução de contato.
Diarreia mucossanguinolenta em lactentes, especialmente com febre, prostração e leucócitos nas fezes, sugere etiologia bacteriana invasiva e é um sinal de gravidade que requer internação e precauções de contato para evitar a disseminação.
A diarreia aguda em lactentes é uma causa significativa de morbidade e mortalidade infantil, especialmente em regiões com saneamento precário. A presença de sangue e muco nas fezes, acompanhada de febre e sinais de toxicidade sistêmica como prostração e taquicardia, sugere fortemente uma etiologia bacteriana invasiva, diferente das diarreias virais que são predominantemente aquosas. Nesses casos, a avaliação da gravidade é primordial. Sinais como prostração, taquicardia e dor abdominal indicam um quadro mais sério que exige internação hospitalar para monitoramento, hidratação adequada e, se indicado, antibioticoterapia. O exame direto das fezes com aumento de leucócitos reforça a natureza inflamatória da diarreia. É crucial evitar o uso de medicamentos antidiarreicos que inibem a motilidade intestinal, pois podem agravar o quadro ao prolongar a exposição à toxina bacteriana e aumentar o risco de complicações graves. A implementação de precauções de contato é essencial no ambiente hospitalar para prevenir a disseminação de patógenos entéricos e proteger outros pacientes e profissionais de saúde.
Os principais agentes etiológicos incluem bactérias como Shigella spp., Salmonella spp., Campylobacter jejuni e Escherichia coli enteroinvasora (EIEC) ou enterohemorrágica (EHEC), especialmente a O157:H7.
Antidiarreicos que inibem a motilidade intestinal são contraindicados em diarreia invasiva porque podem prolongar o contato das toxinas ou bactérias com a mucosa intestinal, aumentando a absorção de toxinas e o risco de complicações sistêmicas, como a síndrome hemolítico-urêmica.
Sinais de necessidade de internação incluem desidratação grave, prostração, alteração do nível de consciência, febre alta persistente, diarreia mucossanguinolenta, vômitos incoercíveis, dor abdominal intensa e falha do tratamento ambulatorial.
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