UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
As características das diarreias inflamatória, osmótica e secretora são, respectivamente:
Diarreia inflamatória → fezes pouco volumosas; osmótica → odor ácido; secretora → fezes muito volumosas.
A diarreia inflamatória geralmente envolve dano à mucosa, resultando em fezes com sangue/muco e menor volume. A osmótica é causada por solutos não absorvíveis, levando a um pH fecal ácido. A secretora, por sua vez, é caracterizada por secreção ativa de água e eletrólitos, resultando em grande volume fecal que não cessa com o jejum.
A diarreia é um sintoma comum com diversas etiologias, sendo fundamental para o diagnóstico e tratamento diferenciar seus tipos principais: inflamatória, osmótica e secretora. Cada tipo possui características fisiopatológicas e clínicas distintas que auxiliam na investigação. A diarreia inflamatória é marcada por dano à mucosa intestinal, resultando em fezes com sangue, muco e leucócitos, geralmente de pequeno volume. A diarreia osmótica ocorre devido à presença de solutos não absorvíveis no lúmen intestinal, que retêm água por osmose. É caracterizada por cessar com o jejum, ter um pH fecal ácido (devido à fermentação bacteriana de carboidratos não absorvidos) e apresentar um gap osmótico fecal elevado. Já a diarreia secretora é causada pela secreção ativa de íons e água para o lúmen intestinal, independentemente da ingestão alimentar. Ela não cessa com o jejum, apresenta grande volume fecal e um gap osmótico fecal baixo. O reconhecimento dessas características é crucial para a abordagem diagnóstica. Por exemplo, a presença de febre e sangue nas fezes sugere diarreia inflamatória, enquanto a melhora com o jejum aponta para diarreia osmótica. A compreensão desses mecanismos permite direcionar exames complementares e iniciar a terapia mais adequada, seja ela antimicrobiana, dietética ou sintomática.
As principais causas de diarreia osmótica incluem deficiência de lactase (intolerância à lactose), ingestão de laxantes osmóticos (como lactulose ou sais de magnésio), má absorção de carboidratos e ingestão de adoçantes não absorvíveis (sorbitol, manitol).
A diarreia secretora tipicamente não cessa com o jejum e apresenta grande volume fecal, enquanto a diarreia osmótica geralmente cessa com o jejum e tem um volume fecal menor, com pH ácido devido à fermentação de carboidratos não absorvidos.
Patógenos bacterianos como Shigella spp., Salmonella spp., Campylobacter jejuni, Clostridioides difficile e E. coli enteroinvasora (EIEC) são frequentemente associados à diarreia inflamatória, causando dano à mucosa intestinal.
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