USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem, 66 anos, com diarreia há 5 dias. Relata 10 a 12 evacuações ao dia, com fezes líquidas, em pequeno volume, que após dois dias passaram a ser mucossanguinolentas, e acompanhadas de tenesmo. Ademais, refere dor abdominal difusa, em cólica, de intensidade moderada e sem alívio com a evacuação, febre não aferida e náuseas. Exame: abdome com ruídos hidroaéreos hiperativos, doloroso à palpação difusamente, sem descompressão brusca. Qual mecanismo mais provável associado à diarreia?
Diarreia mucossanguinolenta + tenesmo + febre + dor abdominal → sugere mecanismo inflamatório.
A presença de febre, dor abdominal em cólica, tenesmo e, principalmente, fezes mucossanguinolentas, são características marcantes da diarreia de mecanismo inflamatório. Este tipo de diarreia ocorre devido à invasão da mucosa intestinal por patógenos ou processos inflamatórios, resultando em dano tecidual e perda de sangue e muco.
A diarreia é um sintoma comum com diversas etiologias e mecanismos fisiopatológicos. A compreensão desses mecanismos é crucial para o diagnóstico diferencial e manejo adequado. Os principais mecanismos incluem osmótico, secretor, motor e inflamatório. A diarreia inflamatória é caracterizada por um processo inflamatório na mucosa intestinal, geralmente causado por invasão de patógenos ou por doenças inflamatórias intestinais. Clinicamente, a diarreia inflamatória se manifesta com fezes de pequeno volume, frequentemente contendo muco e sangue (mucossanguinolentas), dor abdominal em cólica, tenesmo (sensação de evacuação incompleta), urgência fecal e febre. Esses sintomas refletem o dano à barreira epitelial intestinal, com extravasamento de fluidos, células inflamatórias e sangue para o lúmen intestinal. O diagnóstico diferencial envolve a exclusão de outras causas de diarreia. A diarreia osmótica ocorre por má absorção de solutos, a secretora por secreção ativa de íons e água, e a motora por alteração da motilidade intestinal. A presença de sinais sistêmicos como febre e marcadores de inflamação nas fezes (leucócitos fecais, calprotectina) reforçam a hipótese de diarreia inflamatória, que exige investigação para identificar o agente etiológico e iniciar o tratamento específico.
A diarreia inflamatória é caracterizada por fezes de pequeno volume, frequentemente mucossanguinolentas, acompanhadas de febre, dor abdominal em cólica, tenesmo e urgência fecal, devido à inflamação e dano da mucosa intestinal.
Patógenos bacterianos como Salmonella, Shigella, Campylobacter, E. coli enteroinvasora (EIEC) e Clostridioides difficile são causas comuns de diarreia inflamatória, invadindo a mucosa intestinal.
A diarreia inflamatória se distingue da secretora pela presença de febre, dor abdominal intensa, tenesmo e fezes com sangue e muco, indicando dano à mucosa, enquanto a secretora é geralmente aquosa e sem esses sinais de inflamação.
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