TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente de 70 anos, diabético e hipertenso, da entrada no pronto atendimento com quadro de diarreia há seis dias, febre de 38,9 °C e presença de muco nas fezes. Relata viagem recente para acampamento. A admissão, encontrava-se prostrado, com FC=130 e PA = 85x50. Com base no quadro descrito, é correto afirmar que:
Diarreia + Febre + Instabilidade → Antibioticoterapia empírica imediata.
Pacientes idosos com diarreia aguda, febre e sinais de choque (taquicardia/hipotensão) exigem estabilização hemodinâmica e cobertura antibiótica precoce para patógenos invasivos.
A diarreia aguda infecciosa pode evoluir para quadros graves de desidratação e choque séptico, especialmente em populações vulneráveis como idosos e diabéticos. A presença de muco e febre sugere uma etiologia inflamatória (ex: Salmonella, Shigella, Campylobacter, E. coli enteroinvasiva). Em pacientes com instabilidade hemodinâmica (FC 130, PA 85/50), o manejo prioritário envolve a ressuscitação volêmica vigorosa e o início precoce de antibióticos de amplo espectro (como quinolonas ou ceftriaxone) para reduzir a carga bacteriana e prevenir a progressão da sepse.
A antibioticoterapia empírica não é recomendada para todos os casos de diarreia aguda, pois a maioria é viral ou autolimitada. Entretanto, está indicada em: 1) Pacientes com sinais de gravidade (febre alta, instabilidade hemodinâmica, sepse); 2) Diarreia inflamatória/disentérica grave; 3) Idosos ou imunocomprometidos com comorbidades; 4) Suspeita de cólera ou shigellose grave. No caso descrito, a hipotensão e taquicardia (choque) tornam o tratamento mandatório.
Idosos apresentam maior risco de desidratação rápida e complicações sistêmicas. Sinais de alerta incluem: alteração do nível de consciência, hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia persistente, febre elevada (> 38,5°C), presença de sangue ou muco nas fezes (sugerindo invasão bacteriana) e dor abdominal intensa. A prostração e o tempo prolongado de sintomas (6 dias) aumentam a suspeita de complicações como insuficiência renal pré-renal ou translocação bacteriana.
Não. O hemograma pode não apresentar leucocitose em fases iniciais da infecção, em pacientes idosos (que podem ter resposta imunológica embotada) ou em infecções por certos patógenos. O diagnóstico de etiologia bacteriana invasiva é clínico e epidemiológico. A decisão terapêutica em quadros agudos graves deve ser baseada na apresentação clínica e estabilidade do paciente, não dependendo exclusivamente de exames laboratoriais de triagem.
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