UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 9 meses de idade, apresenta febre (39 ºC) e diarreia há 1 dia. A mãe refere 6 evacuações nas últimas 24 horas, com sangue, muco e pus nas fezes e nega problemas anteriores de saúde. Exame físico: paciente está choroso, toma água oferecida pela mãe com avidez e apresenta choro sem lágrimas. Qual é a conduta mais adequada?
Lactente com disenteria e desidratação leve/moderada → Reidratação oral na unidade de saúde + Antibiótico oral.
A presença de sangue, muco e pus nas fezes (disenteria) em um lactente com sinais de desidratação leve a moderada indica a necessidade de reidratação oral supervisionada e terapia antibiótica empírica, geralmente com um macrolídeo ou cefalosporina de terceira geração, para cobrir agentes bacterianos comuns como Shigella.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, e a presença de sangue, muco e pus nas fezes (disenteria) indica uma etiologia bacteriana invasiva, sendo a Shigella o agente mais comum no Brasil. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações como a desidratação grave e a sepse. A avaliação do estado de hidratação é o primeiro passo, e o caso descrito, com criança chorosa, avidez por água e choro sem lágrimas, sugere desidratação leve a moderada. Para desidratação leve a moderada, a conduta prioritária é a reidratação oral, preferencialmente na unidade de saúde, utilizando o soro de reidratação oral (SRO) conforme o Plano B da OMS/Ministério da Saúde, que prevê a administração de 50-100 mL/kg em 4 horas. A reidratação oral é superior à parenteral na maioria dos casos, sendo mais segura e eficaz. Além disso, a presença de disenteria justifica o uso de antibióticos por via oral, como a azitromicina ou ceftriaxona, para erradicar o agente bacteriano e reduzir a duração e gravidade da doença, bem como a transmissão. É fundamental que a alimentação habitual da criança seja mantida durante o episódio diarreico, pois isso ajuda na recuperação da mucosa intestinal e previne a desnutrição. Probióticos podem ser considerados como adjuvantes, mas não substituem a reidratação e o antibiótico quando indicados. O acompanhamento rigoroso da evolução clínica e do estado de hidratação é imperativo para identificar falha terapêutica e ajustar a conduta, se necessário.
Sinais de desidratação leve a moderada incluem criança chorosa, irritada, com avidez por água, olhos fundos, choro sem lágrimas, boca e língua secas, e tempo de enchimento capilar normal ou discretamente prolongado. A perda de peso é de 5-10%.
O uso de antibióticos é indicado na diarreia infantil quando há sinais de disenteria (sangue, muco e pus nas fezes), suspeita de cólera, ou em casos de diarreia persistente com desnutrição grave. A etiologia bacteriana invasiva é a principal indicação.
A reidratação oral na unidade de saúde permite uma supervisão mais próxima da equipe, garantindo que a criança receba a quantidade adequada de soro de reidratação oral (SRO) e que a mãe seja orientada sobre a administração correta, além de monitorar a evolução do estado de hidratação.
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