Diarreia Disentérica na Gestação: Manejo e Antibióticos Seguros

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 30 anos, na 10ª semana de gestação, proveniente do Japão, procura atenção médica por apresentar febre, dor abdominal e diarreia com muco e sangue há 1 dia. Está no Brasil há 10 dias, visitando parentes no Pará. Apresenta sinais de desidratação leve, hemodinamicamente estável, ausculta cardíaca e pulmonar normais; o abdome é flácido, com ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação do trajeto colônico, sem sinais de irritação peritoneal. Após melhora clínica com hidratação parenteral e sintomáticos o médico decide por tratamento domiciliar com introdução de terapia oral. A escolha mais adequada é

Alternativas

  1. A) gatifloxacina.
  2. B) sulfametoxazol-trimetoprim.
  3. C) azitromicina.
  4. D) levofloxacina. 
  5. E) mebendazol.

Pérola Clínica

Diarreia disentérica em gestante: azitromicina é a escolha segura e eficaz para tratamento empírico.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de diarreia disentérica (muco e sangue), sugerindo etiologia bacteriana invasiva (ex: Shigella, Campylobacter, Salmonella). Estando grávida, a escolha do antibiótico deve considerar a segurança fetal. As fluoroquinolonas (gatifloxacina, levofloxacina) são contraindicadas na gestação. Sulfametoxazol-trimetoprim é contraindicado no primeiro trimestre. Mebendazol é anti-helmíntico. A azitromicina é um macrolídeo seguro e eficaz para diarreias bacterianas na gestação.

Contexto Educacional

A diarreia disentérica, caracterizada pela presença de muco e sangue nas fezes, é um sinal de inflamação da mucosa intestinal, geralmente causada por infecções bacterianas invasivas. Em gestantes, o manejo exige atenção redobrada devido à necessidade de proteger tanto a mãe quanto o feto. A desidratação é uma complicação séria que deve ser prontamente corrigida, como feito no caso com hidratação parenteral. A escolha do tratamento antibiótico empírico para diarreia disentérica em gestantes deve considerar a segurança fetal e a cobertura contra os patógenos mais prováveis, como Shigella, Campylobacter e Salmonella. As fluoroquinolonas (ex: gatifloxacina, levofloxacina) são contraindicadas na gravidez devido ao risco de danos à cartilagem fetal. O sulfametoxazol-trimetoprim é contraindicado no primeiro trimestre pelo risco de teratogenicidade e no final da gestação pelo risco de kernicterus no neonato. Nesse contexto, a azitromicina, um macrolídeo, emerge como a opção mais segura e eficaz. Ela tem boa penetração tecidual, é bem tolerada e possui atividade contra os principais patógenos entéricos bacterianos. É classificada como Categoria B na gravidez (ou equivalente em outros sistemas), indicando segurança relativa. Portanto, para uma gestante no primeiro trimestre com diarreia disentérica, a azitromicina é a escolha mais adequada para o tratamento oral domiciliar, após estabilização clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os agentes etiológicos mais comuns da diarreia disentérica em gestantes?

Os agentes mais comuns incluem bactérias como Shigella spp., Campylobacter jejuni, Salmonella spp. e Escherichia coli enteroinvasora ou enterohemorrágica, que causam inflamação da mucosa intestinal.

Por que a azitromicina é a escolha mais adequada para diarreia disentérica em gestantes?

A azitromicina é um macrolídeo que possui boa cobertura contra os principais patógenos bacterianos causadores de diarreia disentérica e é considerada segura para uso durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre.

Quais antibióticos devem ser evitados no tratamento de diarreia em gestantes e por quê?

Fluoroquinolonas (como gatifloxacina, levofloxacina) são contraindicadas devido ao risco de artropatia fetal. Sulfametoxazol-trimetoprim é contraindicado no primeiro trimestre pelo risco de teratogenicidade (antagonismo do folato) e no terceiro trimestre pelo risco de kernicterus.

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