AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Sobre a diarreia crônica na infância, analise as afirmativas abaixo: I. Acordar a noite para defecar frequentemente é um sinal de causa orgânica para a diarreia crônica. II. O que ajuda a diferenciar a doença celíaca da fibrose cística é a recusa alimentar na primeira. III. A diarreia osmótica é dependente da alimentação oral e os volumes de fezes geralmente não são tão massivos como na diarreia secretória. Assinale a alternativa correta:
Diarreia noturna = causa orgânica; Osmótica cessa com jejum; Secretória é volumosa e persistente.
A diferenciação entre causas orgânicas e funcionais baseia-se em sinais de alarme (despertar noturno) e na resposta ao jejum (diarreia osmótica vs. secretória).
A diarreia crônica na infância (duração > 4 semanas) exige uma abordagem sistemática para diferenciar condições comuns, como a diarreia funcional, de patologias graves. A fisiopatologia da diarreia osmótica envolve a retenção de água no lúmen por carboidratos não digeridos, enquanto a secretória envolve o transporte ativo de íons. O reconhecimento de sinais de alarme, como a defecação noturna, é essencial para indicar a necessidade de biópsias intestinais ou testes genéticos. A Doença Celíaca e a Fibrose Cística representam os pilares das síndromes malabsortivas, sendo a primeira uma enteropatia sensível ao glúten e a segunda uma doença multissistêmica afetando o transporte de cloro, ambas impactando severamente o estado nutricional se não diagnosticadas precocemente.
A diferenciação clínica fundamental reside na relação com a ingestão oral e no volume fecal. A diarreia osmótica ocorre devido à presença de solutos não absorvíveis no lúmen intestinal (como na intolerância à lactose), o que atrai água por gradiente osmótico; por isso, ela cessa ou melhora significativamente com o jejum. O volume fecal costuma ser moderado e o hiato osmótico fecal é elevado (> 125 mOsm/kg). Já a diarreia secretória resulta da secreção ativa de eletrólitos (frequentemente mediada por toxinas ou hormônios), mantendo-se volumosa mesmo durante o jejum, com hiato osmótico baixo (< 50 mOsm/kg). Identificar essa distinção é o primeiro passo para afunilar o diagnóstico etiológico em pacientes pediátricos com quadros crônicos.
Diferenciar a diarreia funcional (como a 'diarreia da criança' ou síndrome do cólon irritável) de causas orgânicas é crucial. Os sinais de alerta que sugerem organicidade incluem: despertar noturno para defecar (o sono geralmente inibe a motilidade funcional), presença de sangue ou gordura (esteatorreia) nas fezes, perda de peso ou falha no crescimento (curva pondero-estatural descendente), anemia, febre recorrente e dor abdominal persistente que não melhora com a evacuação. Na pediatria, a presença de diarreia que interrompe o sono é um dos indicadores mais sensíveis de que existe um processo inflamatório, malabsortivo ou secretório subjacente que exige investigação laboratorial e de imagem imediata.
Embora ambas possam cursar com má absorção e déficit de crescimento, existem nuances clínicas importantes. Na Doença Celíaca, a introdução do glúten desencadeia uma resposta imunomediada que frequentemente leva à anorexia (recusa alimentar), irritabilidade e distensão abdominal. Já na Fibrose Cística, a insuficiência pancreática exócrina causa má absorção de gorduras, mas o apetite da criança costuma estar preservado ou até aumentado (polifagia) para compensar a perda calórica fecal, a menos que haja uma exacerbação pulmonar grave associada. Além disso, a Fibrose Cística apresenta manifestações extraintestinais clássicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica e suor salgado, enquanto a Doença Celíaca pode apresentar dermatite herpetiforme e deficiências vitamínicas específicas.
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