Diarreia Crônica em HIV: Diagnóstico de Oportunistas

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 35 anos idade, portador da patologia CID: B24 há 4 anos, sem tratamento específico, refere há aproximadamente 40 dias diarreia com 3 a 4 evacuações por dia, com fezes aquosas, sem febre ou cólica abdominal. Fez uso de vários medicamentos para verminose sem sucesso. CD4: 210/mm3 e CARGA VIRAL: 156.000 cópias. Dos patógenos listados abaixo, o que mais comumente causa a situação descrita é:

Alternativas

  1. A) Isospora belli.
  2. B) Salmonella sp.
  3. C) Enterovírus.
  4. D) Clostridium difficile. 

Pérola Clínica

HIV com CD4 < 200/mm³ e diarreia aquosa crônica → pensar em Isospora belli e outras coccidioses.

Resumo-Chave

Em pacientes com HIV e imunossupressão avançada (CD4 < 200/mm³), a diarreia crônica e aquosa sem febre é frequentemente causada por patógenos oportunistas como Isospora belli, Cryptosporidium e Cyclospora. A investigação deve incluir pesquisa de parasitas em fezes, especialmente com métodos específicos para coccídeos.

Contexto Educacional

A diarreia crônica é uma complicação comum e debilitante em pacientes com HIV, especialmente naqueles com imunossupressão avançada, definida por uma contagem de linfócitos CD4 abaixo de 200 células/mm³. A prevalência de diarreia em pacientes com AIDS pode chegar a 50-90%, impactando significativamente a qualidade de vida e a absorção de nutrientes, levando à desnutrição e perda de peso. É crucial para o residente reconhecer a importância da etiologia oportunista nesse cenário. A fisiopatologia da diarreia em HIV é multifatorial, envolvendo a enteropatia pelo próprio vírus, efeitos adversos de medicamentos e, predominantemente, infecções oportunistas. Patógenos como Isospora belli, Cryptosporidium e Microsporidium causam diarreia aquosa crônica, muitas vezes sem febre ou cólica intensa, devido à sua capacidade de invadir e danificar o epitélio intestinal em um hospedeiro imunocomprometido. O diagnóstico requer uma alta suspeição e métodos laboratoriais específicos, como a pesquisa de oocistos em fezes com colorações especiais. O tratamento da diarreia em HIV envolve a terapia antirretroviral (TARV) para restaurar a função imune, além do tratamento específico para o patógeno identificado. Para Isospora belli, o sulfametoxazol-trimetoprim é a droga de escolha. A profilaxia secundária pode ser necessária em casos de recorrência. A abordagem diagnóstica e terapêutica adequada é fundamental para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais patógenos oportunistas que causam diarreia em pacientes com HIV?

Os principais patógenos oportunistas incluem Isospora belli, Cryptosporidium parvum, Cyclospora cayetanensis (coccídios), Microsporidium spp., e Mycobacterium avium complex (MAC). CMV e Giardia lamblia também podem ser causas.

Como a contagem de CD4 influencia o tipo de diarreia em pacientes com HIV?

Pacientes com CD4 > 200/mm³ tendem a ter diarreia por patógenos mais comuns. Com CD4 < 200/mm³, aumenta o risco de infecções por patógenos oportunistas, que frequentemente causam diarreia crônica e grave.

Qual a conduta diagnóstica inicial para diarreia crônica em pacientes com HIV?

A conduta inicial inclui exame parasitológico de fezes com pesquisa de coccídios (métodos como Ziehl-Neelsen modificado), coprocultura para bactérias, pesquisa de toxina de Clostridium difficile e, em casos refratários, endoscopia com biópsia.

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