PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Você está em uma unidade de atenção primária de saúde atendendo um lactente de 12 meses de idade. O paciente vinha evoluindo bem, com cartão de vacina em dia e testes de triagem neonatal sem alterações. Há quatro meses iniciou diarreia, com eliminação de fezes volumosas, semilíquidas ou pastosas, 4 a 5 vezes ao dia, sem muco ou sangue, algumas vezes com resto alimentar. Concomitantemente, houve redução do ganho ponderal. Recebeu aleitamento materno até os seis meses de vida, e, a seguir, foram introduzidos alimentos em geral, incluindo leite de vaca e glúten. Resultados de exames: anemia ferropriva leve, hipoalbuminemia discreta, pesquisa de leucócitos nas fezes positivo. Baseando-se no caso descrito, é considerada ERRADA a alternativa:
APLV: Dieta de exclusão (4 sem) + Teste de provocação oral = Diagnóstico definitivo. Exclusão isolada não é suficiente.
A alternativa D está incorreta porque, embora a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca por quatro semanas seja um passo importante na suspeita de APLV, o diagnóstico definitivo requer um teste de provocação oral após a melhora dos sintomas. Apenas a melhora com a dieta de exclusão não é suficiente para o diagnóstico, pois outras condições podem ter remissão espontânea.
A diarreia crônica em lactentes é um desafio diagnóstico e terapêutico na atenção primária, exigindo uma investigação cuidadosa para identificar a causa subjacente e prevenir a desnutrição. Condições como a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e a doença celíaca são causas importantes de enteropatia que se manifestam com diarreia persistente, má absorção e falha de crescimento. A epidemiologia dessas condições varia, mas a APLV é uma das alergias alimentares mais comuns na infância. O quadro clínico de diarreia crônica, fezes volumosas sem muco ou sangue, perda ponderal, anemia ferropriva e hipoalbuminemia, como descrito no caso, sugere uma enteropatia que afeta a absorção no intestino delgado. A presença de leucócitos nas fezes indica inflamação intestinal. A introdução de leite de vaca e glúten na dieta do lactente levanta a suspeita de APLV ou doença celíaca. O diagnóstico de APLV envolve uma dieta de exclusão da proteína do leite de vaca por 2 a 4 semanas, com melhora dos sintomas, seguida obrigatoriamente por um teste de provocação oral para confirmar a relação causal. O manejo da diarreia crônica e das enteropatias em lactentes requer uma abordagem multidisciplinar, incluindo suporte nutricional, tratamento de deficiências (como anemia) e a exclusão do alérgeno ou glúten, conforme o diagnóstico. Para residentes e estudantes, é crucial entender a sequência diagnóstica, a importância do teste de provocação oral na APLV para evitar restrições desnecessárias e o acompanhamento nutricional rigoroso para garantir o desenvolvimento adequado da criança.
Sinais de alarme incluem perda ponderal ou falha de crescimento, anemia, hipoalbuminemia, presença de sangue ou muco nas fezes, e desidratação persistente, indicando uma enteropatia significativa.
O diagnóstico definitivo de APLV é feito através de uma dieta de exclusão da proteína do leite de vaca por 2 a 4 semanas, com melhora dos sintomas, seguida obrigatoriamente por um teste de provocação oral, onde a reintrodução do leite desencadeia os sintomas.
A presença de leucócitos nas fezes sugere um processo inflamatório intestinal, que pode ser observado em diversas condições como enteropatias inflamatórias, infecções bacterianas invasivas ou alergias alimentares.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo