Diarreia Crônica Funcional em Crianças: Diagnóstico e Manejo

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 2 anos e 6 meses de idade apresenta diarreia há 4 meses. A mãe refere hábito intestinal diário de 5 vezes por dia, fezes líquidas a pastosas, com odor pútrido, com muco e restos alimentares mas sem sangue nas fezes. A diarreia ocorre durante o dia e não é acompanhada de sintomas como dor abdominal, vômitos e inapetência. Introdução de proteína do leite de vaca aos 4 meses de idade, glúten aos 6 meses de idade. Escore Z de peso (+1) e de comprimento (-1). Foram realizados exames de investigação com os seguintes resultados: pH fecal 7, Benedict negativo, sudam III negativo, pesquisa de leucócitos nas fezes negativo. Protoparasitológico de fezes negativo. O diagnóstico mais provável e a melhor conduta são:

Alternativas

  1. A) enteropatia alérgica, dieta isenta de lactose.
  2. B) doença celíaca, dieta isenta de glúten.
  3. C) fibrose cística, terapia de reposição de enzimas pancreáticas.
  4. D) diarreia crônica funcional, orientações gerais e dietéticas.
  5. E) giardíase, iniciar ciclo de 30 dias com probióticos.

Pérola Clínica

Diarreia crônica funcional → fezes líquidas/pastosas com restos, sem dor/vômito, bom estado geral, exames normais.

Resumo-Chave

A diarreia crônica funcional (ou diarreia inespecífica da infância) é comum em crianças pequenas, caracterizada por fezes amolecidas com restos alimentares, sem sinais de má absorção ou inflamação, e bom estado nutricional. Os exames laboratoriais são tipicamente normais, e o tratamento é principalmente dietético e de orientação.

Contexto Educacional

A diarreia crônica em crianças é um desafio diagnóstico comum na pediatria, exigindo uma abordagem sistemática para diferenciar causas orgânicas de funcionais. A diarreia crônica funcional, também conhecida como diarreia inespecífica da infância ou "toddler's diarrhea", é a causa mais comum de diarreia persistente em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, caracterizada por um padrão benigno e autolimitado. O diagnóstico da diarreia crônica funcional é de exclusão. A história clínica revela fezes amolecidas, muitas vezes com alimentos não digeridos, que ocorrem principalmente durante o dia, sem impactar o crescimento ou o bem-estar geral da criança. A ausência de sinais de alarme como perda de peso, dor abdominal intensa, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou febre é crucial. Os exames laboratoriais, incluindo pH fecal, teste de Benedict, Sudam III e pesquisa de leucócitos nas fezes, são tipicamente normais, descartando má absorção de carboidratos, gorduras e processos inflamatórios. A conduta para a diarreia crônica funcional é primariamente de orientação e manejo dietético. Não há necessidade de restrições alimentares severas ou medicamentos específicos. Recomenda-se limitar o consumo de sucos de frutas e bebidas açucaradas, aumentar a ingestão de fibras e gorduras saudáveis, e garantir uma dieta equilibrada. É fundamental tranquilizar os pais, explicando a natureza benigna e autolimitada da condição, evitando investigações invasivas desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da diarreia crônica funcional em crianças?

A diarreia crônica funcional é caracterizada por fezes líquidas ou pastosas, com restos alimentares, que ocorrem durante o dia, sem dor abdominal, vômitos ou inapetência. A criança mantém bom estado geral e nutricional.

Quais exames são úteis para descartar outras causas de diarreia crônica?

Exames como pH fecal, Benedict, Sudam III e pesquisa de leucócitos nas fezes são importantes para descartar intolerância a carboidratos, má absorção de gordura e processos inflamatórios, respectivamente. O protoparasitológico também é essencial.

Qual a conduta inicial para a diarreia crônica funcional?

A conduta inicial envolve orientações gerais e dietéticas, como evitar excesso de sucos e carboidratos simples, aumentar a ingestão de fibras e gorduras, e tranquilizar os pais sobre a natureza benigna da condição.

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