Diarreia Crônica: Diferenciação Osmótica vs Secretória

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Sobre a diarreia crônica, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) As diarreias crônicas osmóticas, em geral, cessam com o jejum.
  2. B) As diarreias secretórias possuem GAP osmótico fecal alto.
  3. C) As diarreias oriundas do delgado, em geral, possuem volume fecal menor que as oriundas do cólon.
  4. D) As diarreias crônicas persistem por mais do que duas, porém, menos do que quatro semanas.

Pérola Clínica

Diarreia osmótica → cessa com jejum e apresenta gap osmótico fecal elevado (>125 mOsm/kg).

Resumo-Chave

A diarreia osmótica ocorre por solutos não absorvidos que retêm água no lúmen; cessar a ingestão desses solutos (jejum) interrompe o processo.

Contexto Educacional

A diarreia crônica é definida por duração superior a 4 semanas. A abordagem diagnóstica inicial foca na distinção entre causas funcionais e orgânicas, e na classificação fisiopatológica. A diarreia osmótica ocorre por deficiências enzimáticas (ex: lactase) ou ingestão de laxantes osmóticos. A diarreia secretória pode ser causada por infecções, tumores neuroendócrinos ou má absorção de ácidos biliares. O reconhecimento do padrão clínico e laboratorial (gap osmótico) é fundamental para direcionar a investigação etiológica, evitando exames invasivos desnecessários em casos de fácil resolução dietética.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar diarreia osmótica de secretória pelo jejum?

A diarreia osmótica é causada por substâncias osmoticamente ativas não absorvidas no lúmen intestinal. Quando o paciente entra em jejum, a oferta dessas substâncias cessa, interrompendo o gradiente osmótico e, consequentemente, a diarreia. Já na diarreia secretória, o problema é o transporte ativo de eletrólitos pelas células epiteliais, frequentemente mediado por toxinas ou hormônios, persistindo mesmo sem a ingestão de alimentos.

O que é o gap osmótico fecal e como interpretá-lo?

O gap osmótico fecal é calculado pela fórmula: 290 - 2 * (Na fecal + K fecal). Um gap elevado (>125 mOsm/kg) sugere diarreia osmótica, indicando que há outros solutos no lúmen além dos eletrólitos medidos. Um gap baixo (<50 mOsm/kg) é característico da diarreia secretória, onde a osmolaridade fecal é composta basicamente pelos eletrólitos secretados ativamente.

Quais as características das diarreias de delgado vs cólon?

Diarreias originadas no intestino delgado costumam apresentar grande volume fecal, mas menor frequência de evacuações, muitas vezes associadas a sinais de má absorção. Já as diarreias de cólon (baixas) apresentam menor volume por evacuação, mas alta frequência (polaciúria fecal), frequentemente acompanhadas de tenesmo, urgência e presença de muco ou sangue.

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