Diarreia Crônica: Investigação, Diagnóstico e Causas

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2020

Enunciado

Na investigação de diarreia crônica assinale a alternativa com afirmações falsas:

Alternativas

  1. A) resultados de anticorpos anti-gliadina e anti-endomísio positivos sugerem o diagnóstico de doença celíaca, porém é indispensável a biópsia da mucosa duodenal
  2. B) Diarréias com mais de 4 semanas devem ser submetidas a investigação suplementar
  3. C) O teste qualitativo para pesquisa de gordura fecal (esteatorréia pode estar alterado em outras condições que não a pancreatite crônica
  4. D) Se demonstrada a absorção reduzida de algum nutriente, a diarreia deve estar relacionada com patologias do intestino Grosso
  5. E) Parasitoses são um diagnóstico diferencial importante na epidemiologia de países em desenvolvimento

Pérola Clínica

Diarreia com má absorção de nutrientes → patologias do intestino DELGADO, não do intestino grosso.

Resumo-Chave

A má absorção de nutrientes está primariamente associada a patologias do intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão e absorção. Doenças do intestino grosso geralmente causam diarreia por alteração da motilidade ou inflamação, sem má absorção significativa.

Contexto Educacional

A diarreia crônica, definida como a alteração do hábito intestinal com fezes amolecidas ou líquidas por mais de 4 semanas, representa um desafio diagnóstico devido à sua vasta gama de etiologias. A investigação deve ser sistemática, considerando fatores epidemiológicos, características das fezes e sintomas associados, para direcionar os exames complementares de forma eficiente. A fisiopatologia da diarreia crônica pode envolver mecanismos osmóticos, secretores, inflamatórios, de motilidade ou de má absorção. A má absorção de nutrientes, em particular, é um mecanismo chave em diversas patologias do intestino delgado, como doença celíaca, doença de Crohn e insuficiência pancreática exócrina. O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de macronutrientes. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui desde infecções parasitárias (comuns em países em desenvolvimento) até doenças inflamatórias intestinais, síndromes de má absorção e causas endócrinas. A investigação suplementar é sempre necessária para diarreias com mais de 4 semanas. O tratamento da diarreia crônica é etiológico, ou seja, direcionado à causa subjacente. Isso pode envolver dietas específicas (ex: sem glúten para celíacos, sem lactose), medicamentos para controlar a inflamação ou a motilidade, enzimas pancreáticas ou antiparasitários. O prognóstico varia amplamente dependendo da etiologia e da resposta ao tratamento. Pontos de atenção incluem a avaliação nutricional do paciente, a hidratação e a monitorização de complicações, especialmente em casos de má absorção prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais exames são indicados na investigação inicial da diarreia crônica?

A investigação inicial da diarreia crônica pode incluir hemograma, eletrólitos, função tireoidiana, provas inflamatórias, parasitológico de fezes, pesquisa de gordura fecal e, dependendo da suspeita, sorologias para doença celíaca.

Qual a importância da biópsia duodenal no diagnóstico de doença celíaca?

A biópsia da mucosa duodenal é indispensável para confirmar o diagnóstico de doença celíaca, mesmo com anticorpos positivos, pois avalia as alterações histológicas características como atrofia vilositária, hiperplasia de criptas e aumento de linfócitos intraepiteliais.

Como a esteatorreia se relaciona com a diarreia crônica?

A esteatorreia (gordura nas fezes) indica má digestão ou má absorção de gorduras, sendo um sinal importante de doenças pancreáticas (insuficiência exócrina) ou do intestino delgado (doença celíaca, doença de Crohn, supercrescimento bacteriano).

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