Diarreia Crônica: ASCA e o Diagnóstico de Doença de Crohn

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de quarenta e cinco anos de idade queixa-se de diarreia persistente há 6 meses, com 5 a 10 episódios de fezes líquidas por dia, sem produtos patológicos, associada a dor abdominal e flatulência, mas sem febre e sem perda de peso. Tendo esse caso clínico como referência, julgue o item subsecutivo. Nos casos de diarreia crônica com suspeita de doença inflamatória intestinal, o anticorpo anti Saccharomyces cerevisiae (ASCA) tem alta sensibilidade para retocolite ulcerativa.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

ASCA é mais sensível para Doença de Crohn; p-ANCA para Retocolite Ulcerativa.

Resumo-Chave

O anticorpo anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA) é um marcador sorológico que apresenta maior sensibilidade e especificidade para a Doença de Crohn, não para a Retocolite Ulcerativa. Para a Retocolite Ulcerativa, o anticorpo perinuclear anticitoplasma de neutrófilos (p-ANCA) é mais frequentemente associado.

Contexto Educacional

A diarreia crônica é um sintoma comum que requer investigação detalhada, e as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), como a Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa (RCU), são causas importantes. A DC e a RCU são condições inflamatórias crônicas do trato gastrointestinal com etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A diferenciação entre elas é crucial para o manejo, pois possuem prognósticos e abordagens terapêuticas distintas. No contexto do diagnóstico diferencial, marcadores sorológicos têm sido estudados. O anticorpo anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA) é um desses marcadores. Ele é mais frequentemente detectado em pacientes com Doença de Crohn, especialmente na forma ileal e em crianças, e sua presença pode auxiliar na diferenciação da RCU. Por outro lado, o anticorpo perinuclear anticitoplasma de neutrófilos (p-ANCA) é mais comumente associado à Retocolite Ulcerativa. Portanto, a afirmação de que o ASCA tem alta sensibilidade para retocolite ulcerativa está incorreta. O ASCA é um marcador mais útil para a Doença de Crohn. Residentes devem estar cientes da utilidade e das limitações desses marcadores sorológicos, compreendendo que o diagnóstico das DII é complexo e requer a integração de dados clínicos, endoscópicos, histopatológicos e radiológicos, além dos marcadores laboratoriais.

Perguntas Frequentes

Qual a importância dos marcadores sorológicos, como o ASCA, no diagnóstico das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII)?

Os marcadores sorológicos, como o ASCA (anti-Saccharomyces cerevisiae) e o p-ANCA (perinuclear anticitoplasma de neutrófilos), são úteis como ferramentas auxiliares no diagnóstico diferencial entre a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, especialmente em casos atípicos ou quando a diferenciação é difícil apenas com endoscopia e histologia. Eles não são diagnósticos definitivos, mas complementam a avaliação clínica.

Como o ASCA se relaciona com a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa?

O ASCA é um anticorpo mais frequentemente encontrado em pacientes com Doença de Crohn, apresentando uma sensibilidade de cerca de 50-70% e especificidade de 90-95% para essa condição. Em contraste, o ASCA é raramente positivo na Retocolite Ulcerativa. Para a Retocolite Ulcerativa, o p-ANCA é o marcador sorológico mais comumente associado.

Quais são os principais exames para o diagnóstico de Doença Inflamatória Intestinal?

O diagnóstico das DII é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (incluindo marcadores inflamatórios como PCR e calprotectina fecal, além dos sorológicos), endoscópicos (colonoscopia com ileoscopia e biópsias) e radiológicos (enterografia por TC ou RM). A histopatologia das biópsias é crucial para a confirmação e diferenciação entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

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