UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente de quarenta e cinco anos de idade queixa-se de diarreia persistente há 6 meses, com 5 a 10 episódios de fezes líquidas por dia, sem produtos patológicos, associada a dor abdominal e flatulência, mas sem febre e sem perda de peso. Tendo esse caso clínico como referência, julgue o item subsecutivo. No tratamento da diarreia crônica, a dieta prescrita deve ser pobre em resíduos, com restrição de leite e derivados e com incremento de hidratação oral.
Diarreia crônica inespecífica → Dieta pobre em resíduos + restrição de lactose + hidratação.
O tratamento inicial da diarreia crônica foca na redução da carga osmótica e irritativa intestinal, priorizando alimentos de fácil digestão e manutenção volêmica.
A diarreia crônica, definida por duração superior a 4 semanas, exige uma abordagem diagnóstica extensa, mas o manejo sintomático inicial é fundamental para a qualidade de vida do paciente. A dieta pobre em resíduos minimiza a estimulação mecânica do cólon, enquanto a restrição de lactose previne o componente osmótico da diarreia. No caso clínico apresentado, a ausência de sinais de alarme (febre, perda de peso, produtos patológicos) sugere causas funcionais ou má absortivas leves, onde o ajuste dietético e a hidratação adequada frequentemente resultam em melhora sintomática significativa antes mesmo da conclusão da investigação etiológica.
A restrição de leite e derivados justifica-se pela possibilidade de uma deficiência secundária de lactase. Durante processos inflamatórios ou irritativos crônicos da mucosa intestinal, as vilosidades onde se localiza a enzima lactase podem ser danificadas, levando a uma má absorção de lactose, que por efeito osmótico, agrava o quadro diarreico.
Uma dieta pobre em resíduos visa reduzir o volume e a frequência das fezes. Ela limita o consumo de fibras insolúveis (encontradas em cascas de frutas, sementes e vegetais folhosos crus) e alimentos que estimulam o peristaltismo, como cafeína e condimentos picantes, focando em carboidratos simples e proteínas magras.
A hidratação oral é crucial para prevenir a desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos decorrentes da perda crônica de fluidos e eletrólitos (sódio, potássio, bicarbonato) nas fezes líquidas, sendo a base do suporte clínico enquanto a causa etiológica é investigada.
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