UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Mulher de 55 anos apresenta diarreia há 2 meses, acompanhada de dor abdominal e perda de peso (< 10% do peso corpóreo). HI: 6 evacuações ao dia, fezes amolecidas a líquidas, sem muco ou sangue. AP: HAS e DM controlados com uso regular de enalapril e metformina. A conduta correta é:
Diarreia crônica + perda de peso + dor abdominal em >50 anos → investigar neoplasia colorretal com colonoscopia.
Em pacientes acima de 50 anos com diarreia crônica, perda de peso e dor abdominal, mesmo que a perda de peso seja discreta, a presença de "sintomas de alarme" como a perda de peso e a idade avançada justifica uma investigação mais invasiva, como a colonoscopia, para excluir causas graves como neoplasias.
A diarreia crônica é definida como a alteração da consistência das fezes para amolecidas ou líquidas, com aumento da frequência evacuatória, por um período superior a 4 semanas. É um sintoma comum, mas que em idosos e na presença de sinais de alarme, como perda de peso inexplicada, dor abdominal e anemia, exige uma investigação aprofundada para excluir causas graves como neoplasias colorretais. A epidemiologia mostra um aumento da incidência de câncer colorretal com a idade, tornando a investigação proativa fundamental. A fisiopatologia da diarreia crônica é variada, podendo ser osmótica, secretora, inflamatória ou por alteração da motilidade. No caso de suspeita de neoplasia, a diarreia pode ser causada por obstrução parcial, secreção de substâncias pelo tumor ou inflamação. O diagnóstico diferencial inclui síndrome do intestino irritável, doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais e diarreia medicamentosa. No entanto, a presença de sinais de alarme em pacientes acima de 50 anos deve sempre levantar a suspeita de malignidade. O tratamento da diarreia crônica depende da causa subjacente. Quando há suspeita de neoplasia, a colonoscopia com biópsia é o exame de escolha para o diagnóstico definitivo. A identificação precoce de lesões pré-malignas ou malignas permite intervenções terapêuticas mais eficazes, melhorando significativamente o prognóstico do paciente. A abordagem deve ser individualizada, mas a prioridade é sempre excluir condições graves.
Sinais de alarme incluem idade >50 anos, perda de peso inexplicada, sangramento retal, anemia ferropriva, história familiar de câncer colorretal e diarreia noturna.
A colonoscopia é o exame padrão-ouro para investigar o cólon e reto, permitindo a visualização direta da mucosa, biópsias de lesões suspeitas e remoção de pólipos, sendo crucial para o diagnóstico precoce de neoplasias.
A diarreia medicamentosa geralmente tem início temporal relacionado ao uso de um novo fármaco ou ajuste de dose. No entanto, a presença de sinais de alarme como perda de peso exige investigação mais ampla antes de atribuir a causa apenas à medicação.
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