PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
Homem de 54 anos estava em uso de clavulanato de amoxicilina para tratamento de sinusite. Houve melhora inicial, mas, sete dias após o início do tratamento, ele voltou a apresentar febre associada à diarreia com cerca de sete dejeções diárias. Dentre as opções abaixo, marque o exame laboratorial mais adequado para confirmar o diagnóstico MAIS PROVÁVEL do quadro de febre e diarreia:
Diarreia pós-ATB + febre → suspeitar C. difficile; diagnóstico = pesquisa de toxinas A/B nas fezes.
A diarreia associada a antibióticos, especialmente após o uso de amoxicilina-clavulanato, com febre e múltiplas dejeções, é altamente sugestiva de infecção por Clostridium difficile (agora Clostridioides difficile). O diagnóstico laboratorial mais adequado e recomendado é a identificação das toxinas A e/ou B do C. difficile nas fezes, que são os fatores de virulência responsáveis pela doença.
A diarreia associada a Clostridium difficile (DACD), agora mais precisamente Clostridioides difficile, é uma causa comum de diarreia nosocomial e comunitária, especialmente após o uso de antibióticos. Antibióticos de amplo espectro, como a amoxicilina-clavulanato, podem alterar a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de suas toxinas, que causam inflamação e diarreia. O diagnóstico da DACD é crucial para o manejo adequado. A suspeita clínica surge em pacientes com diarreia (geralmente >3 evacuações não formadas em 24h) que tiveram exposição recente a antibióticos ou hospitalização. O método laboratorial padrão-ouro para confirmar a infecção ativa é a detecção das toxinas A e/ou B do C. difficile nas fezes, utilizando testes imunoenzimáticos ou PCR. A cultura da bactéria, embora possível, não diferencia colonização de infecção ativa. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves, pode ser necessária a cirurgia. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas rigorosas de controle de infecção para evitar a disseminação do patógeno.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas de amplo espectro), idade avançada, hospitalização prolongada e uso de inibidores de bomba de prótons.
A pesquisa de toxinas (A e B) nas fezes é preferível porque a detecção da bactéria por cultura pode indicar apenas colonização assintomática, enquanto a presença das toxinas confirma a doença ativa.
As manifestações variam de diarreia leve a colite pseudomembranosa grave, com febre, dor abdominal, leucocitose e, em casos extremos, megacólon tóxico e perfuração intestinal.
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