IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Homem de 68 anos, portador de doença de Parkinson, encontra-se internado para tratamento de pneumonia aspirativa há 12 dias, em uso de ceftriaxona e clindamicina. Em 48 horas evolui com febre, diarreia e dor abdominal. Ao exame REG, desidratado+/4; FC: 110 bpm, PA: 90 x 54 mmHg. Abdome: dor à palpação profunda difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais: Hb: 12,3 g/dL; Ht: 35%; GB: 16.200/mm³ (bastonetes 10%, neutrófilos segmentados 62%; linfócitos 28%); plaquetas: 160.000/mm³; creatinina: 1,5 mg/dL; proteína C reativa: 20 mg/dL. Considerando-se a hipótese mais provável, a propedêutica indicada é:
Diarreia grave pós-antibióticos, febre e dor abdominal → suspeitar de DACD = pesquisa de toxinas A/B nas fezes.
O uso prolongado de antibióticos, especialmente ceftriaxona e clindamicina, é um fator de risco importante para o desenvolvimento de diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD). A apresentação grave com febre, hipotensão e leucocitose exige rápida investigação com pesquisa de toxinas nas fezes.
A diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD) é uma infecção intestinal comum em ambiente hospitalar, especialmente em pacientes idosos e aqueles em uso de antibióticos de amplo espectro. É crucial reconhecer os fatores de risco e a apresentação clínica para um diagnóstico e tratamento precoces, prevenindo complicações graves como megacólon tóxico e perfuração intestinal. A fisiopatologia envolve a disrupção da microbiota intestinal pelos antibióticos, permitindo a proliferação do C. difficile e a produção de toxinas A e B, que causam inflamação e dano à mucosa colônica. A suspeita deve surgir em pacientes com diarreia (≥3 evacuações não formadas em 24h) após uso de antibióticos, febre, dor abdominal e leucocitose. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas ou do DNA do C. difficile nas fezes. O tratamento varia conforme a gravidade, mas geralmente envolve vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos graves ou refratários, pode-se considerar transplante de microbiota fecal. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e medidas de controle de infecção.
Os principais fatores de risco incluem uso recente ou prolongado de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização e comorbidades.
O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B do Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por imunoensaio enzimático (EIA) ou PCR para o gene da toxina.
Clindamicina, cefalosporinas de segunda e terceira geração (como ceftriaxona) e fluoroquinolonas são os antibióticos mais frequentemente associados ao desenvolvimento de DACD.
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