UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Mulher de 50 anos de idade, internada em UTI há uma mês com quadro de pneumonia comunitária em uso de ceftriaxone e claritromicina. Desenvolve pneumonia hospitalar com hemocultura positiva para Acinetobacter baumanii. Precisou utilizar meropenem e polimixina. Desenvolve no trigésimo dia de internação diarreia esverdeada com 6 evacuações/dia.Considerando a questão anterior, responda:Qual a droga de escolha e via de administração?
Diarreia pós-ATB em UTI, especialmente após meropenem/polimixina, sugere DACD → tratar com vancomicina oral ou fidaxomicina.
O quadro de diarreia esverdeada em paciente internada em UTI por longo período e em uso de múltiplos antibióticos, como meropenem e polimixina, é altamente sugestivo de diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD). A droga de escolha para o tratamento da DACD, especialmente em casos moderados a graves, é a vancomicina oral.
A diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma infecção intestinal comum e potencialmente grave, especialmente em ambientes hospitalares. Ela ocorre devido à proliferação da bactéria Clostridioides difficile no cólon, geralmente após a disrupção da microbiota intestinal normal pelo uso de antibióticos de amplo espectro. A bactéria produz toxinas que causam inflamação e diarreia, podendo levar a colite pseudomembranosa. O diagnóstico de DACD deve ser suspeitado em pacientes que desenvolvem diarreia (geralmente >3 evacuações não formadas em 24 horas) durante ou após o uso de antibióticos, especialmente em ambiente hospitalar ou de UTI. Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades, internação prolongada e uso de múltiplos antibióticos, como os carbapenêmicos (meropenem) e polimixinas, que são frequentemente usados para infecções por bactérias multirresistentes como Acinetobacter baumanii. O tratamento da DACD depende da gravidade. Para casos moderados a graves, a vancomicina oral é a droga de escolha, pois atinge altas concentrações no lúmen intestinal, onde age localmente. A fidaxomicina é outra opção eficaz, especialmente para casos recorrentes. O metronidazol oral pode ser considerado para casos leves, mas é menos eficaz que a vancomicina. É fundamental que residentes saibam reconhecer e tratar prontamente a DACD para evitar complicações graves.
Os principais fatores de risco incluem uso recente ou prolongado de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e carbapenêmicos), idade avançada, internação hospitalar prolongada e comorbidades graves.
A droga de escolha para DACD moderada a grave é a vancomicina oral. A via oral é crucial para que o antibiótico atinja altas concentrações no lúmen intestinal, onde o Clostridioides difficile reside. Fidaxomicina é uma alternativa eficaz.
Antibióticos de amplo espectro podem alterar a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de Clostridioides difficile, que produz toxinas que causam inflamação e diarreia, levando ao quadro clínico de DACD.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo