UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Uma senhora de 70 anos encontra-se internada devido a complicações de uma colecistectomia de urgência. Além de sepse abdominal, tratou uma pneumonia hospitalar. No vigésimo terceiro dia de internação, apresenta um quadro de diarreia aquosa que evolui rapidamente para diarreia com raias de sangue, com muco e tenesmo, dor abdominal e febre. Qual dos exames ou procedimentos a seguir é o mais indicado para avaliação inicial desse caso?
Diarreia grave em paciente hospitalizado com uso prévio de ATB → suspeitar de Clostridioides difficile e pesquisar toxina.
A diarreia em paciente idoso, internado por longo período, com histórico de uso de múltiplos antibióticos e quadro grave (febre, dor abdominal, diarreia sanguinolenta), é altamente sugestiva de infecção por Clostridioides difficile, exigindo a pesquisa de toxinas nas fezes.
A diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma causa comum e potencialmente grave de diarreia nosocomial. O caso clínico descreve uma paciente idosa, com internação prolongada e histórico de múltiplas infecções (sepse abdominal, pneumonia hospitalar) que implicam uso de antibióticos de amplo espectro, fatores de risco clássicos para DACD. A apresentação clínica, com diarreia aquosa evoluindo para sanguinolenta com muco, tenesmo, dor abdominal e febre, é altamente sugestiva de colite por C. difficile, podendo indicar uma forma mais grave da doença. A pesquisa de toxinas de C. difficile nas fezes é o exame diagnóstico de escolha para confirmar a infecção. O tratamento envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. É crucial o isolamento de contato para prevenir a disseminação da bactéria. Residentes devem estar atentos a essa condição em pacientes hospitalizados.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, internação hospitalar prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
O exame mais indicado é a pesquisa de toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por métodos imunoenzimáticos (EIA) ou PCR para o gene da toxina.
As complicações podem incluir desidratação grave, desequilíbrio eletrolítico, colite pseudomembranosa, megacólon tóxico, perfuração intestinal, sepse e, em casos graves, óbito.
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