Diarreia por Clostridioides difficile: Tratamento

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 62 anos, diabética tipo 2, interna para tratamento de pé diabético. Foi iniciado tratamento empírico com ciprofloxacina e clindamicina. No décimo dia de tratamento, apresenta pico febril, oito episódios de diarreia sem produtos patológicos, acompanhados de dor abdominal em cólica no quadrante inferior.Confirmando-se a hipótese diagnóstica mais provável, o tratamento de escolha deve ser feito com

Alternativas

  1. A) dieta obstipante.
  2. B) sulfametoxazol com trimetoprima oral.
  3. C) vancomicina oral.
  4. D) teicoplanina venosa.
  5. E) praziquantel.

Pérola Clínica

DACD pós-ATB → Vancomicina oral (primeira linha para casos moderados/graves).

Resumo-Chave

A diarreia por Clostridioides difficile (DACD) deve ser suspeitada em pacientes com diarreia após uso de antibióticos, especialmente clindamicina. O tratamento de escolha para casos moderados a graves é a vancomicina oral, devido à sua ação local no trato gastrointestinal e eficácia superior.

Contexto Educacional

A diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD) é uma infecção intestinal causada pela bactéria Clostridioides difficile, que prolifera após a disrupção da microbiota intestinal normal, geralmente pelo uso de antibióticos. É uma causa comum de diarreia nosocomial e pode variar de quadros leves a colite pseudomembranosa grave e megacólon tóxico. Fatores de risco incluem idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades como diabetes. O diagnóstico é feito pela detecção das toxinas A e B do C. difficile nas fezes ou pela pesquisa de GDH (glutamato desidrogenase) e posterior confirmação das toxinas. O tratamento inicial envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível. Para casos leves a moderados, metronidazol oral pode ser considerado, mas a vancomicina oral é o tratamento de escolha para casos moderados a graves e para a primeira recorrência, devido à sua eficácia superior e ação local. Fidaxomicina oral é uma alternativa para casos graves ou recorrentes. Residentes devem estar atentos à história de uso recente de antibióticos em pacientes com diarreia, especialmente em ambiente hospitalar. A escolha correta do antibiótico e a via de administração (oral para vancomicina) são cruciais para o sucesso terapêutico e para evitar complicações graves. A compreensão dos critérios de gravidade também é fundamental para guiar a conduta.

Perguntas Frequentes

Quais antibióticos são mais comumente associados ao desenvolvimento de diarreia por Clostridioides difficile?

Os antibióticos mais frequentemente associados à DACD incluem clindamicina, fluoroquinolonas (como ciprofloxacina), cefalosporinas de segunda e terceira geração e penicilinas de amplo espectro (como ampicilina e amoxicilina).

Por que a vancomicina oral é o tratamento de escolha para a diarreia por Clostridioides difficile?

A vancomicina oral é o tratamento de escolha porque atinge altas concentrações no lúmen intestinal, onde o Clostridioides difficile e suas toxinas estão presentes, exercendo sua ação bactericida localmente com mínima absorção sistêmica.

Quais são os critérios para classificar a gravidade da diarreia por Clostridioides difficile?

A gravidade da DACD é classificada com base em leucocitose (>15.000 células/mm³), creatinina sérica ≥1.5 vezes o valor basal, febre, dor abdominal intensa, sinais de colite fulminante ou choque, entre outros.

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