HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Mulher de 72 anos com pneumonia foi internada e recebeu amoxicilina-clavulanato e omeprazol, com boa resposta. No quinto dia de internação, apresenta febre, inapetência, dor abdominal em cólica e diarreia, com eliminação de fezes líquidas e muco. Os episódios de diarreia estão aumentando e a paciente precisou de hidratação intravenosa. Exame físico: sinais vitais normais, hipertimpanismo abdominal. Hemograma: 12 000 leucócitos/mm³. Raio x de abdome: discreta distensão do cólon. Coprocultura: ausência de germes patogênicos. O tratamento é:
Diarreia pós-antibiótico + febre + dor abdominal + leucocitose = suspeitar DACD; tratar com metronidazol VO (casos leves/moderados).
O quadro clínico de diarreia, febre, dor abdominal e leucocitose, após uso de antibióticos (amoxicilina-clavulanato), com coprocultura negativa para patógenos comuns, é altamente sugestivo de infecção por Clostridioides difficile (DACD). O tratamento de escolha para casos leves a moderados de DACD é o metronidazol por via oral.
A diarreia associada a Clostridioides difficile (DACD), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é uma das principais causas de diarreia nosocomial e está diretamente relacionada ao uso de antibióticos. A interrupção da microbiota intestinal normal pelos antibióticos permite a proliferação do C. difficile, que produz toxinas que causam inflamação e dano à mucosa colônica, levando a quadros que variam de diarreia leve a colite pseudomembranosa grave e megacólon tóxico. O quadro clínico típico inclui diarreia aquosa, dor abdominal em cólica, febre e leucocitose, geralmente surgindo dias a semanas após o início da antibioticoterapia. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B do C. difficile ou do gene da toxina em amostras de fezes. É crucial suspeitar de DACD em qualquer paciente hospitalizado com diarreia que tenha recebido antibióticos recentemente. O tratamento da DACD envolve a interrupção do antibiótico que a precipitou, se possível, e a administração de terapia específica. Para casos leves a moderados, o metronidazol oral é a primeira linha de tratamento. Em casos mais graves, ou naqueles que não respondem ao metronidazol, a vancomicina oral é a droga de escolha. A hidratação e o suporte são essenciais, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades.
Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas de amplo espectro), idade avançada, internação hospitalar prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.
O diagnóstico é feito pela detecção de toxinas A/B ou do gene da toxina (PCR) em amostras de fezes de pacientes com diarreia. A coprocultura para patógenos comuns é geralmente negativa.
O metronidazol oral é a primeira escolha para casos leves a moderados. A vancomicina oral é preferida para casos graves ou refratários, ou quando o metronidazol não é tolerado ou eficaz.
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