INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021
Homem, 69 anos, etilista, em situação de rua, interna no hospital com febre e tosse purulenta. Feito diagnóstico de abscesso pulmonar é iniciado tratamento com clindamicina venosa. No 5o dia, desenvolve diarreia aquosa (sem muco ou sangue), novo pico febril e dor abdominal, atribuídos a causa infecciosa. O agente etiológico provavelmente envolvido é:
Diarreia aquosa + febre + dor abdominal pós-clindamicina → suspeitar Clostridium difficile.
A clindamicina é um antibiótico conhecido por seu alto risco de induzir infecção por Clostridium difficile (ICD), que se manifesta com diarreia, dor abdominal e febre. Em pacientes hospitalizados, especialmente com fatores de risco, a suspeita deve ser alta.
A infecção por Clostridium difficile (ICD) é uma das principais causas de diarreia associada a antibióticos e infecção nosocomial. O Clostridium difficile é uma bactéria anaeróbia gram-positiva que produz toxinas (A e B) responsáveis pela patogênese da doença, que varia de diarreia leve a colite pseudomembranosa grave e megacólon tóxico. Fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas de amplo espectro), idade avançada, hospitalização prolongada, comorbidades e uso de inibidores de bomba de prótons. O quadro clínico típico da ICD é diarreia aquosa, que pode ser acompanhada de dor abdominal, febre, náuseas e leucocitose. A suspeita deve ser alta em pacientes que desenvolvem diarreia durante ou após o uso de antibióticos. O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas de C. difficile ou do gene da toxina em amostras de fezes. É crucial diferenciar a ICD de outras causas de diarreia para iniciar o tratamento adequado e implementar medidas de controle de infecção. O tratamento da ICD envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos mais leves ou moderados, o metronidazol oral pode ser uma opção. Medidas de suporte, como hidratação, são essenciais. A prevenção inclui o uso racional de antibióticos e rigorosas práticas de higiene das mãos, especialmente em ambientes hospitalares, para evitar a disseminação do patógeno. A recorrência é um desafio comum, e novas terapias, como o transplante de microbiota fecal, estão sendo exploradas para casos refratários.
Antibióticos de amplo espectro, como clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas de terceira geração e penicilinas de amplo espectro (ex: amoxicilina-clavulanato), são os mais frequentemente associados.
Os sintomas incluem diarreia aquosa (que pode ser profusa), dor abdominal, febre, náuseas e perda de apetite. Em casos graves, pode evoluir para colite pseudomembranosa.
O diagnóstico é feito pela detecção de toxinas A e B de C. difficile ou do gene da toxina (PCR) em amostras de fezes de pacientes com diarreia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo