SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Mulher, 17 anos, estudante, procura pronto-atendimento mais próximo a sua casa por diarreia aquosa, sem muco e sem sangue, volumosa, cerca de 10-12 episódios/dia de início há 2 dias. Nega vômitos e febre. Refere quadros semelhantes ao seu na vizinhança e na faculdade. Ao exame: Consciente, orientada, levemente desidratada e sedenta. Qual a melhor conduta a ser tomada?
Diarreia aquosa levemente desidratada, sem febre/vômitos, casos semelhantes → hidratação oral assistida e observação.
Em casos de diarreia aguda aquosa, sem sinais de gravidade (febre alta, vômitos persistentes, desidratação grave, sangue/muco nas fezes) e com desidratação leve, a conduta inicial e mais importante é a reidratação oral. A observação assistida permite monitorar a resposta e evitar a progressão da desidratação.
A diarreia aguda é uma condição gastrointestinal comum, caracterizada por aumento da frequência e/ou diminuição da consistência das fezes, com duração inferior a 14 dias. Na maioria dos casos, é de etiologia infecciosa, predominantemente viral, e autolimitada. A principal complicação e causa de morbimortalidade, especialmente em crianças e idosos, é a desidratação. O manejo da diarreia aguda foca primariamente na prevenção e tratamento da desidratação. A reidratação oral com soro de reidratação oral (SRO) é a pedra angular do tratamento, sendo eficaz e segura para a maioria dos casos de desidratação leve a moderada. A avaliação do grau de desidratação é crucial para determinar a via e o volume de fluidos necessários. Em cenários de surto ou casos semelhantes na comunidade, a etiologia viral é altamente provável, reforçando a conduta de suporte. Para residentes, é fundamental discernir os casos que necessitam apenas de reidratação oral e observação daqueles que exigem investigação etiológica, antimicrobianos ou hidratação venosa. Sinais de alarme como febre alta, diarreia sanguinolenta, vômitos incoercíveis, desidratação grave ou imunocomprometimento do paciente indicam a necessidade de condutas mais agressivas. A conduta do caso apresentado, com desidratação leve e ausência de sinais de gravidade, reforça a importância da hidratação oral assistida como medida inicial e eficaz.
Sinais de desidratação leve incluem sede aumentada, boca e língua secas, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega cutânea lento) e, em crianças, olhos ligeiramente encovados. A paciente do caso apresentava leve desidratação e sede.
Antimicrobianos são indicados em casos específicos de diarreia aguda, como diarreia com sangue (disenteria), febre alta persistente, suspeita de cólera, diarreia do viajante grave, ou em pacientes imunocomprometidos. Para diarreia aquosa sem febre ou sangue, a reidratação é a prioridade.
A hidratação oral assistida permite que o paciente receba líquidos e eletrólitos sob supervisão, garantindo a ingestão adequada e monitorando a resposta à reidratação. Isso é crucial para prevenir a progressão da desidratação e pode evitar a necessidade de hidratação venosa.
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