Diarreia Aquosa Aguda: Sinais Chave e Leucócitos Fecais

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 20 anos, chega à emergência com quadro de diarreia há três dias, aquosa e de grande volume, cerca de quatro episódios ao dia, com restos alimentares. Refere astenia, sensação de boca seca, com temperatura máxima aferida de 37,4ºC. Comorbidades: rinite alérgica. Ao exame, hidratada, eupneica, normocorada, com sinais vitais normais. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome com dor leve à palpação profunda difusamente. Sobre esse quadro agudo, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) o uso de inibidor de encefalinase é contra-indicado.
  2. B) Campylobacter jejuni é o agente etiológico mais provável.
  3. C) tenesmo costuma vir associado a esse padrão de diarreia.
  4. D) a pesquisa de leucócitos fecais deve ser negativa.
  5. E) a etiologia infecciosa é menos provável pela ausência de febre.

Pérola Clínica

Diarreia aquosa, sem febre ou sinais inflamatórios → leucócitos fecais negativos (diarreia secretora).

Resumo-Chave

A ausência de febre e sinais inflamatórios (como tenesmo ou sangue nas fezes) em um quadro de diarreia aquosa de grande volume sugere uma etiologia não invasiva, como viral ou bacteriana toxigênica. Nesses casos, a pesquisa de leucócitos fecais é tipicamente negativa, indicando ausência de resposta inflamatória intestinal.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma condição comum na emergência, e a diferenciação entre diarreia inflamatória e não inflamatória é crucial para o manejo. A diarreia secretora, como a apresentada no caso, é caracterizada por grande volume de fezes aquosas, sem sinais de invasão da mucosa intestinal, como sangue, muco ou tenesmo. Agentes como Rotavírus, Norovírus e E. coli enterotoxigênica são causas frequentes, e a ausência de febre é comum. O diagnóstico diferencial é guiado pelas características clínicas. A pesquisa de leucócitos fecais é um exame simples e rápido que auxilia nessa distinção: resultados negativos indicam diarreia não inflamatória, enquanto positivos sugerem inflamação da mucosa. Essa informação é vital para decidir sobre a necessidade de antibioticoterapia, que geralmente não é indicada em diarreias secretoras não complicadas, focando-se na reidratação. O tratamento da diarreia aquosa não inflamatória baseia-se primariamente na reidratação oral para prevenir ou tratar a desidratação. O uso de inibidores de encefalinase, como o racecadotril, pode ser considerado para reduzir o volume das fezes. É importante lembrar que a ausência de febre não exclui etiologia infecciosa, e a presença de comorbidades ou sinais de alarme deve sempre ser avaliada para um manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais que sugerem uma diarreia secretora não inflamatória?

Diarreia secretora é caracterizada por fezes aquosas e de grande volume, sem sangue visível, muco ou tenesmo. Geralmente, não há febre alta ou sinais sistêmicos de inflamação, e a dor abdominal costuma ser difusa e leve.

Por que a pesquisa de leucócitos fecais é importante no diagnóstico da diarreia?

A pesquisa de leucócitos fecais ajuda a diferenciar diarreias inflamatórias (invasivas) de não inflamatórias (secretoras). A presença de leucócitos indica uma resposta inflamatória na mucosa intestinal, comum em infecções por bactérias invasivas como Shigella ou Salmonella.

Quais agentes etiológicos são mais prováveis em diarreia aquosa sem febre?

Agentes virais (ex: Rotavírus, Norovírus) e bactérias produtoras de toxinas (ex: Escherichia coli enterotoxigênica - ETEC, Vibrio cholerae) são causas comuns de diarreia aquosa sem febre. Nesses casos, a lesão é funcional ou superficial, sem invasão da mucosa.

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