FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Sobre o tratamento da diarreia em pacientes pediátricos, assinale a alternativa correta:
Diarreia aguda < 5 anos → Zinco 10-14 dias (reduz duração e recorrência).
O tratamento da diarreia aguda foca na reidratação e suplementação de zinco; dietas restritivas e suspensão do aleitamento materno são contraindicadas.
O manejo da diarreia aguda em pediatria é um pilar da saúde pública. As diretrizes enfatizam a Terapia de Reidratação Oral (TRO) como primeira linha, reservando a via parenteral para casos de choque ou falha da TRO. A suplementação de zinco tornou-se padrão ouro devido ao seu impacto na redução da morbimortalidade infantil. Além disso, a educação dos cuidadores sobre sinais de perigo e a manutenção da oferta hídrica e nutricional são essenciais. O uso de probióticos e antissecretores como a racecadotrila pode ser considerado em cenários específicos, mas a base do tratamento permanece sendo a hidratação e o suporte nutricional adequado, evitando-se o uso de antibióticos de forma empírica na maioria dos casos virais.
A suplementação de zinco é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde para todas as crianças menores de 5 anos com diarreia aguda. O zinco atua na regeneração do epitélio intestinal, melhora a absorção de água e eletrólitos e fortalece a resposta imunológica local. Estudos demonstram que o uso de zinco por 10 a 14 dias reduz a duração do episódio atual, a gravidade das fezes e, crucialmente, diminui a incidência de novos episódios de diarreia nos 2 a 3 meses subsequentes. A dose recomendada é geralmente de 10mg/dia para menores de 6 meses e 20mg/dia para maiores de 6 meses.
Em crianças sem sinais de desidratação (Plano A), a conduta deve ser a manutenção da dieta habitual para a idade, sem restrições desnecessárias. O aleitamento materno nunca deve ser interrompido; pelo contrário, deve ser oferecido com maior frequência. Para crianças que já recebem alimentação complementar, deve-se evitar alimentos com alto teor de açúcares simples (pelo risco osmótico) e gorduras excessivas, mas não se deve prescrever dietas 'obstipantes' ou restritivas, pois a manutenção do aporte calórico é fundamental para a reparação da mucosa intestinal e prevenção da desnutrição secundária ao episódio infeccioso.
A racecadotrila é um inibidor da encefalinase intestinal, agindo como um agente antissecretor puro. Diferente da loperamida, ela não altera a motilidade intestinal (não causa íleo paralítico), mas reduz a secreção excessiva de água e eletrólitos no lúmen intestinal induzida por toxinas ou inflamação. É utilizada como adjuvante na terapia de reidratação oral para reduzir o volume das evacuações. No entanto, seu uso deve ser criterioso e não substitui a reidratação. É importante notar que a alternativa C da questão estava incorreta ao afirmar que ela aumenta a secreção, quando na verdade ela a reduz.
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