SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de três anos de idade, previamente hígido, foi levado ao pronto atendimento por apresentar há dois dias diarreia líquida, com seis episódios por dia, e vômitos ocasionais. A mãe relatou que ele mantém aceitação moderada de líquidos. Ao exame, mostrou-se hidratado, com mucosas úmidas, sem alterações respiratórias, com FC = 110 bpm, FR = 26 irpm, SpO₂ = 97%, e temperatura = 37,3°C. Abdome sem dor à palpação. No contexto da diarreia aguda não complicada, a principal indicação de investigação laboratorial é para:
Diarreia aguda hígida → clínica; Exames → desidratação grave, disenteria ou imunossupressão.
A maioria dos episódios de diarreia aguda em crianças é autolimitada e de etiologia viral, não exigindo exames complementares. A investigação laboratorial é reservada para casos graves ou com sinais de invasão bacteriana.
A diarreia aguda é definida como a alteração do hábito intestinal com aumento da frequência e diminuição da consistência das fezes por um período de até 14 dias. A fisiopatologia envolve mecanismos osmóticos ou secretores, sendo os vírus os principais agentes na infância. O manejo baseia-se na prevenção e tratamento da desidratação através dos Planos A, B ou C da OMS/SBP.\n\nEm pacientes previamente hígidos, sem sinais de desidratação e com boa aceitação de líquidos (como o caso clínico apresentado), a conduta é estritamente clínica, focando na manutenção da oferta hídrica e nutricional e suplementação de zinco. A indicação de exames laboratoriais deve ser criteriosa para evitar intervenções desnecessárias e focar nos pacientes que realmente apresentam risco de complicações sistêmicas ou necessidade de terapia específica.
A investigação laboratorial não é rotineira. Ela está indicada em casos de desidratação moderada a grave (que necessitam de hidratação venosa), presença de sangue nas fezes (disenteria) com sinais de toxemia, suspeita de sepse, pacientes imunocomprometidos, diarreia persistente (mais de 14 dias) ou em surtos institucionais onde a identificação do patógeno é necessária para controle epidemiológico. Para crianças hígidas com diarreia líquida e boa aceitação oral, o diagnóstico é clínico.
Em casos de desidratação grave (Plano C), devem-se solicitar eletrólitos (sódio, potássio), função renal (ureia e creatinina) e gasometria arterial para avaliar distúrbios hidroeletrolíticos e o equilíbrio ácido-base (como acidose metabólica). A glicemia capilar também é importante, dada a frequência de hipoglicemia em crianças com baixa ingestão e vômitos. A coprocultura é reservada para casos de disenteria grave ou quando não há resposta ao tratamento inicial.
A coprocultura tem baixo rendimento clínico na maioria das gastroenterites agudas, que são predominantemente virais (como Rotavírus e Norovírus). Além disso, o resultado demora alguns dias, período em que a maioria das crianças já apresentou melhora clínica com a terapia de reidratação. O uso indiscriminado pode levar ao uso desnecessário de antibióticos, o que pode prolongar o estado de portador de certas bactérias (como Salmonella) ou aumentar o risco de Síndrome Hemolítico-Urêmica (em casos de E. coli produtora de toxina Shiga).
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