HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Você atende um pré-escolar de 4 anos de idade com relato de múltiplas evacuações líquidas de odor fétido, com coloração amarela e sem presença de sangue ou catarro. O quadro começou na madrugada do dia anterior, associado a vômito e baixa aceitação de alimentos sólidos, com boa aceitação de líquidos. Ao exame, a paciente encontra-se alerta e orientada, mucosa oral com saliva fluida, extremidades com pulsos cheios e simétricos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Qual é a conduta a seguir?
Diarreia aguda sem desidratação grave em pré-escolar → Aumento ingesta líquidos + SRO pós-evacuação + Zinco + Sinais de alarme.
A conduta para diarreia aguda em crianças sem sinais de desidratação grave foca na prevenção da desidratação. Isso inclui aumentar a oferta de líquidos, usar soro de reidratação oral (SRO) após cada evacuação diarreica e iniciar a suplementação com zinco, além de orientar os pais sobre sinais de alarme.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento. É definida pela eliminação de três ou mais evacuações líquidas ou semilíquidas em 24 horas, com duração de até 14 dias. Em pré-escolares, a etiologia é predominantemente viral, sendo o rotavírus e norovírus os agentes mais comuns. O principal risco é a desidratação, que pode levar a complicações graves e óbito se não for tratada adequadamente. O diagnóstico da diarreia aguda é clínico, e a avaliação do estado de hidratação é fundamental para guiar a conduta. O caso descrito apresenta uma criança alerta e orientada, com mucosas fluidas e tempo de enchimento capilar normal, indicando ausência de desidratação ou desidratação muito leve. Nesses casos, o objetivo principal é prevenir a desidratação e melhorar a evolução do quadro. A terapia de reidratação oral (TRO) é a pedra angular do tratamento, sendo eficaz e segura. A conduta para diarreia aguda sem desidratação ou com desidratação leve (Plano A da OMS) inclui aumentar a ingesta de líquidos (água, sucos, sopas, soro de reidratação oral - SRO), oferecer SRO após cada evacuação diarreica (50-100 mL para crianças de 2 a 10 anos), manter a alimentação habitual e iniciar a suplementação com zinco (10 mg/dia para menores de 6 meses e 20 mg/dia para maiores de 6 meses, por 10 a 14 dias). Além disso, é crucial orientar os pais sobre os sinais de alarme para retorno ao serviço de saúde, como piora da diarreia, vômitos persistentes, recusa alimentar, febre alta ou sinais de desidratação.
Sinais de desidratação leve a moderada incluem sede, diminuição da elasticidade da pele, olhos encovados, boca seca e diminuição da diurese. A criança ainda está alerta e orientada, mas pode apresentar irritabilidade.
A suplementação de zinco, iniciada precocemente, demonstrou reduzir a duração, gravidade e recorrência dos episódios de diarreia em crianças, além de diminuir a mortalidade. É recomendada pela OMS para todas as crianças com diarreia aguda.
A terapia de reidratação endovenosa é indicada em casos de desidratação grave (choque, alteração do nível de consciência, incapacidade de beber, vômitos incoercíveis) ou quando a terapia de reidratação oral falha devido a vômitos persistentes ou distensão abdominal.
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