Diarreia Aguda Pediátrica: Mecanismos do Rotavírus

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021

Enunciado

Diarreia aguda é uma das situações mórbidas de maior impacto epidemiológico em pediatria, tanto no que se refere aos indicadores de morbidade, como nos indicadores de mortalidade. Embora a proporção de óbitos por diarreia aguda em menores de 5 anos tenha diminuído nos últimos anos, as regiões Norte e Nordeste do Brasil ainda apresentam valores elevados nesses indicadores. No tocante às principais causas de diarreia na infância e aos mecanismos essenciais de ação do respectivo enteropatógeno, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) é uma bactéria que invade predominantemente a mucosa do intestino grosso, lesa a mucosa colônica e provoca uma diarreia com características inflamatórias pela ação de suas toxinas.
  2. B) A Escherichia coli enteropatogênica (EPEC) é uma das bactérias enteropatogênicas mais prevalentes no Brasil e seu mecanismo de ação é basicamente por meio de produção de citotoxinas e enterotoxinas, poupando a vilosidade intestinal e a microvilosidade.
  3. C) O mecanismo osmótico não é o único mecanismo fisiopatológico associado ao Rotavírus, pois este apresenta também um mecanismo secretor produzido por uma toxina viral não estrutural.
  4. D) Diarreias causadas por Rotavírus são geralmente de características secretoras, mas habitualmente não se acompanham de sinais sistêmicos, como febre, pois esses agentes não invadem a mucosa e não determinam processo inflamatório significativo.

Pérola Clínica

Rotavírus causa diarreia por mecanismos osmótico (lesão vilosidades) e secretor (NSP4 toxina viral).

Resumo-Chave

O Rotavírus, uma das principais causas de diarreia aguda em crianças, age por dois mecanismos principais: dano às vilosidades intestinais, levando a má absorção e diarreia osmótica, e pela produção da enterotoxina viral NSP4, que induz secreção de água e eletrólitos, caracterizando um componente secretor.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pediatria, especialmente em regiões como Norte e Nordeste do Brasil. Compreender os mecanismos fisiopatológicos dos enteropatógenos é crucial para o diagnóstico e manejo adequados. O Rotavírus é um dos agentes etiológicos mais comuns de diarreia grave em crianças. Seu mecanismo de ação é complexo e misto. Ele causa dano às vilosidades do intestino delgado, levando à má absorção de carboidratos e outros nutrientes, o que resulta em um componente osmótico da diarreia. Além disso, o Rotavírus produz uma enterotoxina viral não estrutural, a NSP4, que atua como um secretagogo, induzindo a secreção de água e eletrólitos para o lúmen intestinal, caracterizando um componente secretor. Em contraste, a Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) produz toxinas que induzem secreção sem invasão da mucosa, enquanto a Escherichia coli enteropatogênica (EPEC) adere às células intestinais e causa lesão e apagamento das microvilosidades, alterando a absorção. A diarreia por Rotavírus, embora predominantemente aquosa, pode vir acompanhada de febre e vômitos, e o processo inflamatório, embora não invasivo como em algumas bactérias, contribui para a sintomatologia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais mecanismos fisiopatológicos da diarreia aguda?

Os principais mecanismos são osmótico (má absorção de solutos), secretor (secreção ativa de eletrólitos e água), inflamatório (dano à mucosa com exsudação) e por motilidade alterada.

Como o Rotavírus causa diarreia em crianças?

O Rotavírus causa diarreia por um mecanismo misto: lesa as vilosidades do intestino delgado, levando à má absorção (componente osmótico), e produz a enterotoxina NSP4, que induz secreção de cloreto e água (componente secretor).

Qual a diferença entre Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) e enteropatogênica (EPEC)?

A ETEC causa diarreia secretora por toxinas (termolábil e termoestável) sem invadir a mucosa. A EPEC adere à mucosa do intestino delgado, causando lesão e apagamento das microvilosidades, resultando em diarreia osmótica e secretora.

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