UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Homem de 68 anos apresenta diarreia líquida, de início há sete dias, acompanhada de febre de 38°C, náuseas e dois episódios de vômitos. Relata oito evacuações por dia, sem muco, pus, sangue ou tenesmo. Com base no caso descrito: Classifique em que grupo está a causa mais provável da diarreia aguda.
Diarreia aquosa s/ sangue/pus + febre baixa → Diarreia não inflamatória (viral/toxinas).
A diarreia não inflamatória é caracterizada por fezes volumosas e aquosas sem invasão da mucosa, geralmente causada por vírus ou toxinas bacterianas que atuam no intestino delgado.
A diarreia aguda é definida como a alteração do hábito intestinal com duração inferior a 14 dias. No caso clínico, o paciente idoso apresenta um quadro clássico de diarreia não inflamatória, sugerido pela ausência de produtos patológicos (sangue/pus) e pela presença de sintomas sistêmicos leves como febre baixa e náuseas. A fisiopatologia envolve a secreção ativa de fluidos ou a redução da absorção no intestino delgado, sem destruição tecidual significativa. O manejo primário foca na prevenção da desidratação, especialmente crítica em idosos devido à menor reserva funcional renal e menor percepção de sede. A avaliação diagnóstica extensa com exames de fezes raramente é necessária em quadros aquosos autolimitados, a menos que haja persistência dos sintomas ou sinais de sepse.
A diarreia não inflamatória é tipicamente aquosa, volumosa, sem sangue, muco ou pus, e geralmente associada a náuseas e vômitos, indicando acometimento do intestino delgado por vírus ou toxinas. Já a inflamatória (disenteria) apresenta fezes de pequeno volume com sangue, muco, pus e tenesmo, indicando invasão da mucosa colônica por patógenos como Shigella ou Salmonella.
Os agentes mais comuns incluem vírus (Norovírus, Rotavírus) e bactérias produtoras de enterotoxinas (Vibrio cholerae, E. coli enterotoxigênica, Staphylococcus aureus). Em idosos, o Norovírus é uma causa frequente de surtos em comunidades e instituições.
A maioria dos casos de diarreia não inflamatória é autolimitada e requer apenas reidratação. O uso de antibióticos é reservado para casos de diarreia inflamatória grave, pacientes imunocomprometidos, idosos com comorbidades importantes ou suspeita de patógenos específicos como C. difficile ou cólera grave.
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