Diarreia Aguda em Lactentes: Diagnóstico e Plano B

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021

Enunciado

Certo paciente de 6 meses de idade é levado, às pressas, ao setor de emergência mais próximo de seu domicílio, por causa de vômitos e diarreia. A mãe refere que ele começou o quadro diarreico no dia anterior, mas, no dia da consulta, apresentou muitos episódios aquosos, sem sangue, muco ou pus. Ao exame, a criança encontra-se com os olhos fundos, a boca seca, bebendo com muita sede o líquido oferecido e irritadiça. Constatam-se FR = 40 irpm, FC = 120 bpm e SatO2 = 97%.Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, é correto afirmar que os prováveis diagnóstico e tratamento para o mencionado paciente são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) diarreia aguda com desidratação; plano B de hidratação.
  2. B) diarreia crônica, desidratação grave; plano de hidratação parenteral.
  3. C) diarreia crônica moderada; plano A de hidratação.
  4. D) quadro de desnutrição aguda grave; sais de hidratação oral.
  5. E) gastroenterite crônica, sem desidratação; aumento da ingesta proteica.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia + olhos fundos, boca seca, sede intensa → Desidratação moderada = Plano B.

Resumo-Chave

A diarreia aguda em lactentes, acompanhada de sinais como olhos fundos, boca seca e sede intensa, indica desidratação moderada. Nesses casos, o tratamento de escolha é o Plano B de hidratação, que consiste na administração de Sais de Reidratação Oral (SRO) sob supervisão, para repor as perdas hídricas e eletrolíticas.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, especialmente em países em desenvolvimento. A principal complicação é a desidratação, que pode variar de leve a grave e, se não tratada, pode levar ao choque e óbito. A etiologia é predominantemente infecciosa, sendo os rotavírus e norovírus causas comuns de diarreia aquosa. O diagnóstico da desidratação baseia-se na avaliação clínica dos sinais e sintomas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a desidratação em três planos: Plano A (sem desidratação), Plano B (desidratação moderada) e Plano C (desidratação grave). Sinais como olhos fundos, boca seca, sede intensa e irritabilidade são marcadores de desidratação moderada, indicando a necessidade de intervenção imediata. O tratamento da desidratação moderada é feito com o Plano B, que consiste na administração de Sais de Reidratação Oral (SRO) por via oral, em doses calculadas pelo peso da criança, ao longo de 4 horas. O SRO repõe água e eletrólitos perdidos, sendo uma intervenção simples e altamente eficaz. É crucial monitorar a aceitação do SRO, a diminuição dos vômitos e a melhora dos sinais de desidratação. A falha do Plano B ou a presença de desidratação grave exige a progressão para o Plano C, com hidratação parenteral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de desidratação moderada em crianças?

Os sinais de desidratação moderada incluem olhos fundos, boca e língua secas, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega cutânea que desaparece lentamente), irritabilidade ou letargia, e sede aumentada (a criança bebe com avidez). A presença de dois ou mais desses sinais indica desidratação moderada.

Como é realizado o Plano B de hidratação oral?

O Plano B envolve a administração de 50 a 100 mL de Sais de Reidratação Oral (SRO) por quilo de peso corporal, em um período de 4 horas, sob supervisão médica. A criança deve ser reavaliada após esse período para determinar se a hidratação foi bem-sucedida ou se é necessário progredir para o Plano C (hidratação parenteral).

Quando a hidratação parenteral (Plano C) é indicada na diarreia aguda?

O Plano C é indicado para casos de desidratação grave (com sinais como letargia/inconsciência, não consegue beber, choque) ou quando o Plano B falha (vômitos persistentes, distensão abdominal, piora da desidratação). Nesses casos, a reposição volêmica intravenosa é essencial para estabilizar o paciente.

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