Diarreia em Lactentes: Manejo da Desidratação Leve

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um lactente com sete meses de vida vem apresentando quadro de evacuações líquidas frequentes há 48 horas, com um pico febril baixo no primeiro dia de sintomas. Na avaliação, o paciente encontra‑se alerta, com mucosa oral úmida, aceitando leite materno e outros líquidos e com pulsos cheios e enchimento capilar de dois segundos. Com base nessa situação hipotéti ca, assinale a alternati va correta.

Alternativas

  1. A) O tratamento é domiciliar e a quanti dade de líquidos ingeridos após cada evacuação líquida é de 50‑100 mL, além de iniciar zinco por dez a quatorze dias.
  2. B) O tratamento é domiciliar e a quanti dade de líquidos ingeridos após cada evacuação líquida é de 400 mL.
  3. C) O paciente deverá receber 50 mL/kg de solução de reidratação oral por quatro horas e ser reavaliado após.
  4. D) O paciente deverá receber 100 mL/kg de solução de reidratação oral por quatro horas e ser reavaliado após.
  5. E) O paciente deverá iniciar SF 0,9%, 20 mL/kg, via endovenosa, em trinta minutos e ser reavaliado após.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia e sem sinais de desidratação ou desidratação leve → Plano A (domiciliar) com SRO 50-100mL/evacuação e zinco por 10-14 dias.

Resumo-Chave

O paciente apresenta diarreia aguda sem sinais de desidratação ou com desidratação muito leve (alerta, mucosas úmidas, pulsos cheios, TPC 2s). A conduta correta é o Plano A de tratamento da diarreia, que inclui hidratação oral contínua em casa e suplementação de zinco para reduzir a duração e gravidade dos episódios.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos globalmente. A avaliação do grau de desidratação é crucial para definir a conduta. O paciente descrito, com 7 meses, alerta, mucosas úmidas, aceitando líquidos, pulsos cheios e TPC de 2 segundos, não apresenta sinais de desidratação ou, no máximo, uma desidratação muito leve. Nesses casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam o Plano A de tratamento da diarreia, que é domiciliar. Este plano enfatiza a continuidade da alimentação (incluindo leite materno), o aumento da ingestão de líquidos (água, soro caseiro, SRO) em pequenas quantidades e frequentemente (50-100 mL após cada evacuação líquida para crianças menores de 2 anos), e a suplementação de zinco. A suplementação de zinco por 10 a 14 dias é fundamental, pois reduz a duração e a gravidade dos episódios de diarreia, além de diminuir a chance de recorrência nos meses seguintes. As opções C, D e E seriam indicadas para desidratação moderada a grave (Plano B ou C), que não é o caso deste paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação leve em lactentes?

Sinais de desidratação leve incluem criança alerta, mucosas úmidas, aceitando líquidos, pulsos cheios, tempo de enchimento capilar normal (<2 segundos) e ausência de olhos encovados ou sede intensa.

Qual a quantidade de SRO para lactentes com diarreia em casa?

Para lactentes menores de 2 anos com diarreia e sem desidratação ou desidratação leve (Plano A), a recomendação é oferecer 50-100 mL de SRO ou outros líquidos após cada evacuação líquida.

Por que o zinco é importante no tratamento da diarreia infantil?

A suplementação de zinco por 10 a 14 dias é crucial porque reduz a duração e a gravidade dos episódios de diarreia, além de diminuir a incidência de novos episódios nos meses seguintes, fortalecendo a imunidade intestinal.

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