UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Um lactente de 6 meses de idade, que era alimentado com leite materno e cereais, foi atendido em hospital por apresentar diarreia com evacuações líquidas, explosivas e sem sangue inúmeras vezes ao dia havia 2 dias. Segundo sua mãe, ele apresentava vômitos e estava febril e irritado havia 24 horas. No exame físico, foi observado que o lactente bebia água avidamente, seus olhos estavam encovados, sua boca estava seca e sua língua saburrosa. O turgor e a elasticidade da sua pele estavam diminuídos, e ele havia perdido 8% do seu peso. A respeito desse caso clínico, julgue o item seguinte. Deve-se manter o aleitamento materno para esse lactente e suspender os cereais de sua dieta durante a fase de terapia de reidratação oral.
Diarreia aguda → NUNCA suspender aleitamento materno; manter dieta habitual após reidratação.
A manutenção do aleitamento materno durante a diarreia reduz a gravidade, a duração do episódio e previne a desnutrição, aproveitando fatores imunológicos e nutricionais do leite.
A diarreia aguda em lactentes é uma causa importante de morbimortalidade, geralmente de etiologia viral (como Rotavírus ou Norovírus). O manejo baseia-se na avaliação rigorosa do estado de hidratação. O Plano B é indicado para desidratação leve a moderada, utilizando a Terapia de Reidratação Oral (TRO) com solução de sais de reidratação oral (SRO) em doses pequenas e frequentes (50-100 ml/kg em 4 horas). A manutenção do aleitamento materno é um pilar fundamental, pois o leite materno é isotônico e não agrava a diarreia osmótica, além de fornecer hidratação e proteção imunológica específica. A suspensão temporária de alimentos sólidos ou cereais durante a fase intensiva de reidratação visa focar na aceitação do SRO, mas a alimentação deve ser retomada logo em seguida para evitar o prejuízo nutricional.
O leite materno contém anticorpos, lactoferrina e lisozimas que ajudam a combater patógenos entéricos. Além disso, possui alta biodisponibilidade e nutrientes que previnem a perda ponderal. Estudos demonstram que lactentes amamentados apresentam episódios de diarreia mais curtos e com menor risco de complicações graves. A amamentação deve ser mantida inclusive durante a fase de reidratação oral ativa (Plano B), oferecendo o peito entre as doses de soro.
O lactente apresenta sinais de desidratação moderada (Plano B da OMS): sede ávida, olhos encovados, boca seca, turgor de pele diminuído e perda de peso entre 5-10% (neste caso, 8%). A irritabilidade também é um sinal clínico importante. Esses achados indicam a necessidade imediata de Terapia de Reidratação Oral (TRO) supervisionada em unidade de saúde até que os sinais de desidratação desapareçam.
Uma vez corrigida a desidratação (fase de reidratação), deve-se iniciar a fase de manutenção e prevenção, onde a dieta habitual da criança deve ser reintroduzida imediatamente. Não se recomenda o uso de dietas restritivas ou diluição de fórmulas infantis. A alimentação precoce favorece a regeneração do epitélio intestinal e evita o balanço nitrogenado negativo, acelerando a recuperação nutricional.
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